[CRÍTICA] Fragmentado marca o retorno de M. Night Shyamalan

Responsável pela direção de alguns dos filmes favoritos de muita gente (O Sexto Sentido, Corpo Fechado, Sinais, A Vila), M. Night Shyamalan ressurge das cinzas com um novo suspense. Eu estava na expectativa pela estreia porque, vocês sabem, o diretor passou por uma fase bem ruim, se comparada aos anos de ouro de sua carreira. Btw, meu favorito é A Vila, um filme que explora muito bem a questão do desconhecido, o medo como instrumento de poder e (SPOILER!) faz o espectador de trouxa igual o povo do vilarejo.

Pois bem. O filme é sobre Kevin (James McAvoy), um cara que possui 23 personalidades distintas em seu corpo, conseguindo alterná-las quimicamente no organismo com apenas a força da mente. Logo no início do filme, ele realiza o sequestro de três garotas em um estacionamento, que passam a viver em um cativeiro conhecendo todas as múltiplas personalidades de Kevin enquanto tentam escapar dali.

Nos primeiros 40 minutos de filme tudo ia bem. Tensão bem estabelecida, personagens muito bem construídos e de forte valor para o desenrolar dos fatos, boa premissa. Porém, em dado momento o filme começou a me deixar incomodada. Eu não gostei da forma com que o diretor começou a empregar piadinhas para quebrar  o ritmo, achei que não cabia aqui. Percebo uma clara tentativa de alívio cômico para tornar a experiência um pouco mais mainstream, acredito que o diretor andou sentindo falta de seus dias de blockbuster.

Uma piada ou duas tudo bem, mas o negócio meio que desanda e as coisas começam a se tornar engraçadinhas demais, o que empobrece o enredo e tira o peso do filme, que até então estava bem tenso. Quanto mais o clímax se aproximava, mais o diretor tentava recuperar o tom mais sombrio e tenso que o momento pedia, mas para mim, sem sucesso.

É inegável que JAMES MCAVOY VALE O FILME! Mesmo que não tenhamos conhecido todas as 23 facetas de Kevin (precisaríamos de pelo menos 4 horas de filme ou mais), a atuação de McAvoy empolga e surpreende. Outra grande surpresa vem de Anya Taylor Joy, que já tinha me chamado a atenção em A Bruxa e aqui interpreta uma das garotas sequestradas.

Não vou negar: eu me decepcionei. Talvez por ter criado tantas expectativas e não tê-las correspondidas, não sei. Acho que o tom empregado em alguns momentos tirou a tensão do filme e acabou estragando toda a experiência, que poderia ter sido inesquecível. Quanto mais visual ele se tornava, mas as coisas desandavam.

Antes de começar com os spoilers, quero deixar um recadinho importante pra você que quer extrair o máximo de coisas de Fragmentado. Assista Corpo Fechado, filme de 2000. Faz isso.

!!! SPOILER: A partir desse ponto será discutido o final do filme. Se não viu, não leia!!!

Ao final do filme, depois dos créditos, eis que surge Bruce Willis falando de um caso que envolvia um tal de Mr. Glass há 15 anos atrás. Na hora eu tive a sensação de estar perdendo algo. Imaginei que fosse alguma referência que não acrescentava nada para a narrativa, já que aparecia depois dos créditos. Chegando em casa, quando fui ler sobre, descobri que o filme é um spin-off de CORPO FECHADO, de 2000, filme com Bruce Willis e Samuel L Jackson!

Eu não tinha assistido Corpo Fechado e não sabia nada a respeito. Me encontro agora super arrependida de não ter lido nada a respeito antes, porque estava com medo de spoilers. Bom, esse spoiler seria muito bem vindo. 🙁

Resumindo, Fragmentado é um spin-off de Corpo Fechado, ou seja: os dois filmes fazem parte do mesmo universo. No último  minuto, o diretor ressignifica todo o filme, dando lugar para muitas explicações, dúvidas e teorias.  Em Corpo Fechado, para quem não viu ou não lembra, um desastre de trem choca os Estados Unidos, onde todos morrem mas apenas um sobrevive (o personagem de Bruce Willis). Buscando explicações sobre o ocorrido, ele encontra Elijah Price (Samuel L. Jackson), estranho que apresenta uma explicação bizarra para o fato.

A teoria é de que talvez o acidente que ativou os poderes do Bruce Willis em Corpo Fechado foi o mesmo que matou o pai do Kevin, porque quando o Bruce Willis sente a presença de um garoto, aquele garoto pode ser o Kevin mais novo, que acabara de perder o pai. Será? Inclusive, quando o Kevin está se transformando na fera pela primeira vez, ele vai até uma estação de trem e deixa um buquê de flores.

De qualquer forma, a experiência não foi tão espetacular para mim como para quem era fã do universo de Corpo Fechado, por exemplo, que deve ter levado um baita susto. Fragmentado é um bom suspense, que parte de uma boa premissa, mas é cheio de problemas e falhas que empobrecem a experiência final. O universo unindo dois filmes (no caso três, pois Shyamalan já divulgou que se trata de uma trilogia e já está trabalhando no terceiro filme) mesmo havendo 15 anos de diferença entre eles é muito interessante e vale a experiência.

 

[CRÍTICA] Cinquenta Tons Mais Escuros (2017)

A continuação de Cinquenta Tons de Cinza, filme premiado no Framboesa de Ouro de 2015 como pior daquele ano,  tem sua continuação. Se eu não tivesse dormido no primeiro filme,  poderia fazer uma comparação entre os dois. Mas garanto: “Tons Mais Escuros” está cotadíssimo para pior produção de 2017 – e olha que o ano mal começou.

A começar pelo enredo (?) onde quase nada acontece. Nos primeiros cinco minutos, os protagonistas já estão juntos novamente, e não há nenhum apelo emocional ou dramatização disso. A relação dos dois, aliás, não é nada explorada. Qualquer briga que venham a ter, em dois minutos será totalmente esquecida e eles estarão transando como se nada tivesse acontecido. Isso enfraquece totalmente a narrativa, pois nada é tratado com profundidade, o que não gera nenhum tipo de tensão ou expectativa.

Na verdade, o longa não proporciona experiência alguma. Tudo vem enlatado, com ar de feito às pressas para não perder a clientela. O roteiro é composto quase que 100% por frases de efeito. A todo momento, Mr. Grey responde Anastasia com alguma frase curta posta com uma entonação que era para soar sexy, mas não funciona e acaba fazendo rir.

Há muitos furos aqui, o que demostra uma total falta de preocupação em desafiar o bom senso do espectador.  Por exemplo, quando Christian Grey sofre um grave acidente de helicóptero e no mesmo dia aparece em casa, limpinho e bem arrumado, sendo tudo resolvido num piscar de olhos (mais uma vez o problema da falta de profundidade), ou quando a ex psicopata de Christian invade a casa de Anastasia portando um revólver e a mesma simplesmente solta um “Oi, como é que vai?”. A tentativa desesperada de clímax com essa história de acidente pode ser vista até como a pior coisa do filme.

O personagem Grey, a meu ver, não desperta nenhum carisma. O cara é bonitão, mas o personagem se comporta como uma criança mimada que a todo momento quer mostrar que pode comprar o mundo – como se poder de compra fosse algo excitante ou despertasse alguma simpatia pelo personagem (?). Fora o que o papel de macho alfa bonitão-rico-garanhão-doente representa (falo disso mais abaixo).

A trama não tem um conflito central, mas é composta por vários pequenos problemas que surgem e são facilmente resolvidos (com sexo). Não é que as cenas eróticas me incomodem, entenda, mas elas precisam de uma sustentação maior. Se os personagens não provocam nenhum tipo de sentimento em mim, como espectadora, porque raios a cena de sexo entre os dois me causaria algum entusiasmo?

Objetificação da mulher

Anastasia é apresentada como uma mulher bem resolvida, que lê Jane Austen (talvez o maior nome no feminismo literário) e não desperta interessa nos bens de Grey. Mas, a todo momento, ele se esforça para impressioná-la transferindo 20 mil dólares para a sua conta bancária (que mais tarde ela doará para caridade, quão previsível), presentando-a com Iphone, MacBook ou carro, até mesmo impedindo-a de ascender na própria carreira por seus esforços, já que ele acabara de comprar a empresa onde Anastasia trabalha, tornando-se seu chefe.

Não há justificativa, também, para o desejo sádico de Grey em transformar garotas em submissas simplesmente por ter sofrido algum tipo de abuso sexual na infância. Não era melhor procurar terapia? Em vez disso, Grey se diverte transformando mulheres em escravas de seu prazer doentio, humilhando-as e destruindo-as psicologicamente. “É só um filme”, eu sei, mas não há como alimentar simpatia, interesse ou até mesmo tesão em uma história que gira em torno desse personagem. Então, de que vale o filme?

[LISTA] 8 momentos incríveis da história do Oscar

A cerimônia do Oscar, que acontece no próximo domingo, dia 26, estará em sua 89ª edição. Nessas quase nove décadas de premiação, tivemos alguns grandes momentos. Elaborei uma lista com 8 dos mais inesperados, emocionantes e inesquecíveis, que serão listados de forma aleatória.

8. Michael Moore ganhando o Oscar de Melhor Documentário

Em 2003, Michael Moore levou o Oscar de Melhor Documentário por “Tiros em Columbine”, que por sinal é fantástico, assim como toda a filmografia de Moore (meu favorito é Sicko S.O.S Saúde e Capitalism: A Love Story). O diretor, que sempre fez críticas ao governo Bush, clamou em seu discurso: “Shame on you, Mr. Bush!”, sendo vaiado  por uns e aplaudido por outros na plateia.

7. Heath Ledger levando o Oscar póstumo em 2009

Em 2009, antes do lançamento do aguardado Batman: O Cavaleiro das Trevas, o mundo recebeu a notícia da morte de Heath Ledger, aos 28 anos, com muito pesar. Ao assistirmos sua entrega ao personagem Coringa, torcemos pela indicação, mas não esperávamos que ele vencesse. O Oscar póstumo só tinha sido entregue uma única vez na história antes dele, para Peter Finch.

6. Marlon Brando recusando o Oscar por “O Poderoso Chefão”

Eu pensei algumas vezes antes de colocar esse momento na minha lista, pois criei uma aversão a tudo que viesse de Marlon Brando após saber que a cena de estupro gravada em O Último Tango em Paris foi real, e previamente combinada junto ao diretor Bernardo Bertolucci (sem o consentimento de Maria Schneider). Mas, de qualquer forma, foi uma ação importante e merece destaque. Ao vencer o Oscar em 1973 pelo seu papel em O Poderoso Chefão, Brando recusou o prêmio em protesto, enviando em seu lugar uma ativista de origem indígena que discursou sobre a forma com que os povos indígenas americanos eram tratados pela indústria cinematográfica.

5. Cuba Gooding Jr. comemorando o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante

Definitivamente um dos momentos mais engraçados/inspiradores/fofinhos da premiação. Cuba Gooding Jr venceu na categoria de Melhor Ator Coadjuvante em 1997 por Jerry Maguire, e enquanto a famosa musiquinha do Oscar avisando que seu tempo para falar acabou entrava, Cuba foi se empolgando cada vez mais, sendo ovacionado pela plateia.

4. Halle Berry vencendo o Oscar de Melhor Atriz em 2002

Ela venceu pelo filme A Última Ceia e parecia não acreditar que estava vivendo aquele momento. Ela agradece por todas as mulheres negras que abriram caminho para que pudesse estar ali, vencendo.

3. Charlie Chaplin recebendo Oscar Honorário

Muito emocionado, Charlie Chaplin é ovacionado pela plateia ao receber um Oscar Honorário em 1972 por toda a sua contribuição  e importância para o cinema.

2. Anna Paquin recebendo o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante aos 8 anos

A atriz se tornou a mais jovem a receber uma estatueta. Não é fofa a reação dela?

1. Marion Cotillard vence por Piaf – Um Hino Ao Amor

Ela está aqui não só porque gosto muito de sua reação ao receber o prêmio, mas por ser muito merecedora dele. Uma das atuações mais inesquecíveis e mais fiéis em um filme biográfico. Construir um personagem deve ser muito difícil, mas interpretar alguém que já existe parece ser mais. Marion fez isso de uma forma única. Para quem não sabe, ela interpretou a cantora francesa Edith Piaf.

Menção honrosa

Dois momentos muito especiais para o cinema brasileiro: Fernanda Montenegro indicada a Melhor Atriz e Fernando Meireles indicado a Melhor Diretor por filmes em português. Abaixo, o vídeo da Fernanda sendo apresentada pelo Jack Nicholson (não é demais)?! Aliás, ela merecia ter ganho, muito mais que Gwyneth Paltrow.

Ps: Vale lembrar que essa é uma seleção pessoal, ok?

E você: Qual o seu momento preferido do Oscar? Será que teremos mais momentos inesquecíveis esse ano em uma premiação que anda cada vez mais enlatada? Vamos aguardar! 😉

 

CRÍTICA | ‘A Chegada’ é um dos melhores filmes de 2016

CRÍTICA | ‘A Chegada’ é um dos melhores filmes de 2016

 

Minha meta é comentar todos os filmes do Oscar até a entrega da premiação, mesmo que já tenha um certo tempo da estreia, que no caso de A Chegada, foi em novembro de 2016.

O enredo tem seu desenrolar quando seres interplanetários deixam marcas na terra, e a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma professora especialista em linguística, é procurada pelos militares para ajudar na comunicação com os aliens e descobrir o por que deles estarem na terra.

A tensão estabelecida durante o filme inteiro, tanto pela fotografia nebulosa e com cores frias, sempre retratando um início de manhã ou fim de tarde, quanto pela trilha sonora e até mesmo a forma como vamos descobrindo, assim como Louise, o significado de tudo. Não espere por algo “espetacularizado” demais, pois até o desfecho dos mistérios do filme são respondidos de forma sutil e muito sensível.

A direção de Denis Villenueve é sensacional, ele soube construir satisfatoriamente uma linha do tempo totalmente compreensível, ainda que deixe algumas dúvidas para quem não entendeu a proposta do filme. Se você não entendeu de imediato, existem algumas explicações pela internet que podem te ajudar com isso. Elas farão você perceber perfeitamente o cuidado que Villenueve teve com a construção do longa.

À medida que a história atingia o seu clímax, começamos a perceber que todos os clichês de scifi sobre os extraterrestres na terra estavam sendo desfeitos, pois A Chegada quer passar uma mensagem totalmente diferente. É um filme de aliens não sendo um filme de aliens, se é que me entendem. Para mim, é como uma metáfora que representa a importância da interpretação da linguagem, e do quão devastadora pode ser a falta dela.

Amy Adams: Injustiçada pela Academia?

Falando de Amy Adams, que para muitos foi injustiçada pelo Oscar por não ter levado uma indicação. Gosto da atriz, mas não há tanto espaço para que ela dramatize tanto, pois a sua interpretação foi bastante ponderada. Por exemplo, não há cenas que exigem tanta entrega como Marion Cotillard interpretando Edith Piaf em seus últimos dias, ou Natalie Portman deixando de ser uma garotinha boba para se tornar uma mulher obscura em Cisne Negro. Vocês me entendem? Eu acredito que até cabia uma indicação para Adams, mas não é tão incompreensível assim o fato dela ter sido “esquecida” pela Academia.

O filme gira em torno de decisões e linguagem. É sobre comunicação e a importância disso tudo para a nossa humanidade. Vocês imaginam quantos problemas tivemos com a falta de diálogo entre nossos povos? Em um dado momento, Louise diz que uma teoria sustenta que a língua que você fala determina como você pensa, como você enxerga as coisas. Já parou para pensar nisso? Eu tenho certeza que, ao final do filme, você vai ter muita coisa para conversar com as pessoas que partilharam dessa mesma experiência. Não dá para ficar alheio à discussão. Selo Isso É Muito Black Mirror de qualidade.

“Eu pensava que este era o começo da sua história. A memória é uma coisa estranha. Não funciona como eu imaginava. Estamos tão presos pelo tempo, pela sua ordem. Lembro-me de momentos no meio… e este foi o fim. Mas agora não acredito em inícios e fins. Há dias que definem sua história além da sua vida, como o dia em que eles chegaram.”

 

LEIA Mais NOSSAS CRITÍCAS

CRÍTICA | La La Land – Cantando Estações

CRÍTICA | La La Land – Cantando Estações

Novo filme do diretor Damien Chazelle, de Whiplash, La La Land – Cantando Estações é a produção mais comentada dos últimos tempos. Como tudo que ganha o público e as premiações, logo começou a ser tachado de superestimado e hypado. Eu nunca entendi muito bem o sentido disso, mas você sabe que é verdade…

La La Land é sobre Mia, uma aspirante a atriz que trabalha em uma cafeteria nos estúdios Warner, e Sebastian, um pianista talentoso e fã de jazz que sonha em abrir seu próprio estabelecimento. Os dois estão em busca de suas aspirações, enquanto vivem um romance. Pois bem. O filme bebe de muitas fontes, é como um apanhado de inspirações que, quando mescladas e recontextualizadas, não parecem imitações. Dá pra entender? A sensação que tenho, apesar de não entender muito da parte técnica do fazer cinema, é que filmar cenas de musicais em plano sequência não é tarefa fácil. Chazelle faz parecer.

O filme é quase onírico, mistura sonho e realidade o tempo todo. Possui uma estética doce, que lembra os musicais clássicos da era de ouro de Hollywood (mas só lembra, não é nada disso). Com cores vibrantes e uma fotografia de encher os olhos, La La Land impressiona esteticamente falando. O enredo não é muito complexo, mas o desenrolar é inteligente e não parece forçado. Esses dias assisti Sully, novo filme de Clint Eastwood, e consegui perceber, mesmo em uma obra vinda de um diretor tão excepcional, quantos esforços foram feitos para fechar os 90 minutos de filme (o tal acidente do avião no rio Hudson durou 260 segundos).

As cenas musicadas são extremamente bem dirigidas e de muito bom gosto. Particularmente não gosto da ideia de dividir o filme em estações, isso já foi feito muitas vezes. O romance é honesto e, de novo, a melhor coisa do filme. A química entre Emma e Ryan é incrível, e seus personagens foram bastante bem construídos. Mia (personagem de Stone) ainda mais. Inclusive, ela é minha favorita para o Oscar. Nas cenas em que ela está gravando testes, seu talento se sobressai. Eu lembrei muitas vezes de Naomi Watts (injustiçada pela Academia) em Cidade dos Sonhos, do Lynch.

Em relação ao desfecho, que vem dividindo opiniões e interpretações, prefiro não intervir. Há uma explicação óbvia, mas também há outras, tão boas quanto. Ele não veio mastigado e enlatado, é bem mais subjetivo. De uma coisa eu estou certa: City Of Stars vai levar o Oscar de canção original. Eu tô tentando tirar o assobio do Ryan Gosling da minha cabeça há dias.

 

LEIA MAIS NOSSAS CRITÍCAS

Nerve – Um Jogo Sem Regras (2016) | Crítica

Nerve – Um Jogo Sem Regras (2016) | Crítica

 

Um dos lançamentos teen do ano de 2016 é o filme Nerve – Um Jogo Sem Regras, com a queridinha do momento Emma Roberts de protagonista. O filme se desenvolve em torno de uma garota que está prestes a sair do ensino médio, mas que parece não ter aproveitado bem essa experiência. Muito tímida e reclusa, é constantemente lembrada por sua melhor amiga de que precisa se soltar mais. Ela então resolve começar a participar de um jogo online chamado Nerve, uma espécie de verdade ou conseqüência moderno (mas apenas com a parte da conseqüência). Neste jogo, todos os seus passos e atos são manipulados e observados por uma comunidade anônima de hackers (além dos observadores, que acompanharão cada desafio alcançado).

N_D28_4377.CR2

Emma Roberts em cena de Nerve – Um Jogo sem Regras (2016)

Acredito que a premissa seja boa e bastante interessante. O desenvolver do filme, apesar de tomar rumos bastante adolescentes, é interessante e certamente cumpre o papel de entreter. A fotografia e a direção também não inovam, mas nos sentimos realmente envolvidos pelo universo do jogo Nerve. A trilha sonora é empolgante e sabe cativar o espectador. Todo o marketing em cima do filme foi muito inteligente, pois tudo o que eu esperei ver acabou sendo abordado pelo longa. A reflexão acerca da exposição na internet e individualismo é bem rasa e infantil, mas é válida.

nerve0_303bf

Emma Roberts e Dave Franco em Nerve – Um Jogo Sem Regras (2016)

A forma como que Henry Joost e Ariel Schulman (de Atividade Paranormal) conduziram o longa foi bastante inteligente, especialmente ao explicar a dinâmica do jogo de uma forma bastante interativa, com os chamados “observadores” fazendo filmagens de seus celulares e tablets, dando um ar mais moderninho ao filme. Essa dinâmica também expõe a sociopatia da sociedade ao se esconder atrás de um computador ou celular (nós, que vivenciamos a internet, já sabemos disso).

N_D11_2050.CR2

Cena de Nerve – Um Jogo Sem Regras (2016)

O pacotinho teen é entregue de maneira quase que completa quando Nerve – Um Jogo Sem Regras quer passar uma imagem mais cool e descolada, incluindo filmagens de drones, uma fotografia em néon bastante estilizada, tudo embalado por uma trilha sonora techno-pop moderninha. Mas quando Nerve tinha que se mostrar realmente inovador, falhou em muitos aspectos. O final é digno de uma série teen da Nickelodean. Falta coragem para assumir o risco de propor algo diferente. Mas, feito isso, ficou muito mais do que claro que o propósito era oferecer um filme blockbuster adolescente de verão no mercado. E nisso, Nerve – Um Jogo Sem Regras não falha.

 

Curiosidades sobre Nerve – Um Jogo Sem Regras:

– Há uma cena de segundos em que Vee olha um artigo sobre o ator e diretor James Franco, cujo nome é “Ele é tão esperto assim?”, sendo que na vida real, James Franco é irmão de Dave Franco.

– Como a Apple patrocina o filme (um dos grandes patrocinadores de Hollywood), até o monitor na cena em que Vee está presa (aparece no trailer) é aquele que revolucionou os anos 90: o i.Mac da Primeira Geração.

 

CRÍTICA – Esquadrão Suicida: DC decepciona (mais uma vez) .

CRÍTICA – Esquadrão Suicida: DC decepciona (mais uma vez)

maxresdefault

CRÍTICA – Esquadrão Suicida: DC decepciona (mais uma vez)

Vamos lá. Me envolver nessa briguinha de fãs da DC x fãs da Marvel não é fácil. Não sou fã de um e nem de outro, diga-se de passagem. Não leio os quadrinhos de nenhum desses, estou aqui para escrever sobre os filmes apenas. Só pra deixar claro.

maxresdefault

Margot Robbie interpreta Arlequina em Suicide Squad

Esquadrão Suicida (2016) era uma grande promessa para 2016, principalmente pelo eletrizante trailer que foi lançado nas redes sociais em Janeiro de 2016. Confesso, também fiquei muito curiosa pra ver. Tentei duas vezes ir ao cinema assistí-lo na semana de estreia, mas sem sucesso, pois as salas já estavam todas cheias. Acredito que todo esse burburinho se deve ao marketing, que diga-se de passagem, também tem prós e contras.

Os prós: todo o material de divulgação parecia promissor. A montagem do trailer ao som de Bohemian Rhapsody do Queen, as coletivas com os atores e a divulgação nas redes sociais, tudo cooperou para que Esquadrão Suicida fosse sucesso de público, e é inegável que foi um ótimo blockbuster em 2016, quebrando recordes que eram de Guardiões da Galáxia (Marvel, 2014) e arrecadando mais de U$ 135 milhões até agora.

esquadrão-suicida-prieiro-trailerOFICIAL

Suicide Squad (2016)

Os contras: propaganda enganosa. Mais ou menos o que aconteceu com Batman vs Superman. O filme não tem NADA do que foi visto nos trailers, nas propagandas, na internet. É uma confusão só. Parece que tiraram algumas cenas e montaram um filme diferente. É bem estranho, pra se dizer o mínimo.

O filme tem uns cortes tão estranhos que parece que os editores saíram picotando algumas cenas para diminuir o tempo dele. Além disso, a DC parece ter escutado o público quando tentou inserir (de modo muito grotesco, por sinal) um tom mais leve e descontraído, adicionando piadas esquisitas entre uma cena e outra. Ficou extremamente forçado, na minha opinião. Acredito, sim, que a DC precisa aliviar o tom, mas não dessa forma.

A melhor coisa em Suicide Squad são Deadshot (Will Smith) e Arlequina (Margot Robbie). Não gosto do curinga de Jared Leto (que a propósito, mal aparece). A Waller também tem seus momentos, mas isso é mais por causa da atuação brilhante de Viola Davis do que qualquer outro motivo. E essa Enchantress? Na minha opinião, uma péssima antagonista. A forma como ela foi apresentada não me fez detestá-la (ou criar empatia), não me fez torcer para ela se dar mal, não me fez ter medo dela… Não me fez sequer me importar com ela o filme inteiro. E o mesmo vale para o Flag, que pelo visto devia ser um dos personagens principais.

willsmith_

Will Smith interpreta Deadshot em Suicide Squad

O maior problema de Batman vs Superman não foi o tom sombrio, mas sim, o roteiro fraquíssimo. Tanto que em Esquadrão Suicida o tom empregado foi mais divertido, mas sem um bom roteiro a história não tem força. E assim nasce mais um filme problemático da DC.

Mas tivemos coisas boas também. A trilha sonora é muito amor, a apresentação dos personagens foi caprichada e se você busca entretenimento, Esquadrão Suicida cumpre seu papel. Mas, infelizmente, não passa de mais um filme mediano cheio de problemas.

Leia Nossas Critícas

Stranger Things: 5 motivos para assistir

Stranger Things: 5 motivos para assistir;

Stranger things

Stranger things

Stranger Things é a nova série queridinha do momento e você com certeza ouviu falar dela nas redes sociais pelas últimas semanas. Será que vale mesmo todo o hype que está levando? Eu te digo que vale sim. E te dou cinco motivos para passar o fim de semana fazendo maratona de Stranger Things largado(a) no sofá.

A série é situada numa cidade de interior, em meados dos anos 80. A história tem início com o desaparecimento de Will, um garoto de 12 anos. A família tenta entender o que aconteceu, enquanto o chefe da polícia da cidade inicia uma investigação, e é aí que a história se desenrola. Ao mesmo tempo os amigos de Will – Mike, Dustin e Lucas – tentam localizá-lo por conta própria, mas acabam encontrando Eleven, uma menina misteriosa e com estranhos poderes.

  1. ANOS 80

stranger-things-high-school-kids-barb-600x380

Eu nasci em 1992, não vivi os anos 80, mas há algo muito fascinante nos filmes daquela época. Quem cresceu assistindo John Hughes (Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco), Steven Spielberg (E.T – O extraterrestre, Os Goonies), Stephen King (Conta Comigo, A Coisa) e grande parte dos filmes da Sessão da Tarde com certeza vai saber do que eu tô falando. Não vivemos os anos 80, mas vivemos os filmes e séries dos anos 80 e a nostalgia é válida para os nascidos na década seguinte SIM. Em Stranger Things, tudo desde a ambientação, fotografia, figurino, trilha sonora, abertura, remete aos anos 80. É incrível a preocupação dos diretores em cada detalhe, por menor que seja.

2. EASTER EGGS

legiao_ybtXs6foFVRwUQxE4IL_TaDPmpziGj1BMYk3NC8J2W

Se você é nerd e gosta de descobrir referências escondidas em séries e filmes, Stranger Things está repleta deles. Muitas delas são bem escancaradas, outras estão escondidas, como o cartaz do filme A Morte do Demônio no quadro da parede do quarto de Jonathan, irmão de Will.

3. REPRESENTATIVIDADE FEMININA

stranger-things-season-1-03

Em Stranger Things, as mulheres não esperam pelos mocinhos: elas resolvem o problema junto a eles (ou sozinhas). Percebemos claramente o cuidado dos diretores e roteiristas em não reproduzir a mulher de forma clichê e estereotipada. Existem três mulheres incríveis na série: a mãe de Will, interpretada pela Winona Ryder em seu primeiro papel em série, que aliás, está maravilhosa no papel. Há também Nancy (Natalia Dyer), irmã de Mike, que no início parece mais uma personagem feminina pré-moldada, a “mocinha fragilizada”, mas depois a vemos desabrochar de forma muito interessante. E por fim temos Eleven (Millie Bobby Brown), uma das personagens mais incríveis de toda a série. Millie Bobby Brown rouba a cena em sua interpretação, mesmo Eleven falando tão pouco ou quase nada. As expressões, os olhares, tudo convence, e ela é um dos destaques da série.

4. A HISTÓRIA

CinePOP-Stranger-Things-7-1

A história é muito bem construída e não possui muitos furos, o enredo é amarradinho, as coisas acontecem de uma forma muito convincente e completa. O trabalho de montagem da série é muito bem feito, com um desenrolar dos fatos bastante organizado, deixando tudo bem fácil de entender. A série é para todas as idades, mas para abranger também um público mais novo, é imprescindível que facilitem o entendimento. Os episódios geralmente terminam de forma que o espectador não pense duas vezes em dar play no próximo.

5. O CARISMA DOS PERSONAGENS

stranger-things

Gente, cês não tão entendendo. O que são aquelas crianças? É muito difícil não se envolver com o elenco infantil de Stranger Things. Acredito que tenha sido o ponto alto da série, a razão para que tenha se tornado um fenômeno tão rapidamente. Acredito que isso se deve em grande parte ao elenco infantil. Os atores parecem ter sido escolhidos a dedo para cada papel, e cada um tem sua personalidade muito bem definida.

BÔNUS: A TRILHA SONORA

Música eletrônica + ambientação da série são um combo perfeito. Assistam.

Leia mais sobre Series e TV.

 

 

CRÍTICA – Como Eu Era Antes de Você (2016) – Vale ou não vale?

[Crítica] Como Eu Era Antes de Você (2016) – Vale ou não vale?

maxresdefault

Como Eu Era Antes de Você – Emilia Clarke , Sam Claflin

Como Eu Era Antes de Você, adaptação do romance escrito por Jojo Moyes, é o mais recente sucesso mundial de bilheteria. As adaptações de filmes românticos estão com tudo nos últimos 15 anos, começando pelas adaptações de Nicholas Sparks, como Um Amor Para Recordar (2002) e O Diário de uma Paixão (2004).

38850

O filme conta a história de Will (Sam Claflin), um cara rico, bonitão e esportista, que levava uma vida perfeita até sofrer um grave acidente e ficar tetraplégico. A situação o torna extremamente depressivo e mal-humorado, o que preocupa seus pais. (Janet McTeer e Charles Dance). É nesse contexto que Louisa Clark (Emilia Clarke) é inserida: ela é contratada para cuidar de Will. De origem simples e com a família passando por dificuldades financeiras, ela faz o possível para melhorar o estado de espírito de Will.

Para início de conversa, quero deixar claro que não vejo o filme como uma história de amor entre homem e mulher. É possível que Will sinta um amor diferente por Lou, um querer-bem em retribuição ao que ela é para ele. Louisa é uma personagem encantadora, engraçada e muito bem construída. O figurino faz parte da construção da personagem e Emilia Clarke é uma atriz muito expressiva. Parece que Louisa e Emilia são uma pessoa só e não temos a impressão de que está atuando, o que é muito bom. Sam Claflin também está ótimo em sua interpretação, bastante convincente. A escolha de focar mais no desenvolvimento dos dois personagens, à medida que os conhecemos mais, para mim foi muito acertada. O beijo entre os protagonistas acontece bem perto do final do filme, o que para mim foi muito satisfatório. A relação dos dois pode ser vista como uma amizade, um carinho e vontade de se dedicar para ver o outro feliz (o que não deixa de ser amor, mas de uma forma diferente).

38856

Não focar na relação amorosa de Will e Louisa foi a decisão mais acertada pelos roteiristas. Aliás, a escritora do filme Jojo Moyes elaborou o roteiro, o que pode ser visto como erro ou acerto sob diferentes pontos de vista. Do ponto de vista cinematográfico, o roteirista deve saber fazer cinema. Ele sabe onde encaixar as melhores falas, sabe o timing perfeito, a sincronia de diálogos, etc. O escritor, não familiarizado com o cinema, não tem essa mão. Mas isso pode ser bom para quem leu o livro, porque o filme pode ter muitas semelhanças com ele.

O maior erro aqui é o excesso de pieguice do cinema inglês nos 40 minutos finais. Na verdade, me senti muito incomodada. A trilha sonora fica “pulando de galho em galho” entre uma música e outra (geralmente são músicas de artistas populares, tipo Ed Sheran) com o intuito de ligar a emoção da cena à emoção da música e dar aquele feeling de “bom filme”. Isso fica muito claro para mim e não me emocionou. E sim, eu me emociono com filmes bobos, não sou um robô cult, adoro pieguices.

como-eu-era-antes-de-voce_t87730_bBUnHHw_jpg_640x480_upscale_q90

O filme funciona na maior parte do tempo. A relação entre os personagens, a leveza com que a direção foi levando os acontecimentos, o alívio cômico da própria protagonista Lou, sua relação com o namorado (que não é Will), a família… É uma experiência que pode ser divertida mesmo para os menos fãs do gênero. Como Eu Era Antes de Você é um filme fofinho e otimista. Vale a pena, se você gostar de romances e for paciente com draminhas sessão da tarde. Eu fui.

Leia Nossas Critícas

CRÍTICA | Mogli – O Menino Lobo (2016): Uma experiência visualmente surpreendente

CRÍTICA | Mogli – O Menino Lobo (2016): Uma experiência visualmente surpreendente

2095470.jpg-r_x_600-f_jpg-q_x-xxyxx

CRÍTICA | Mogli – O Menino Lobo (2016)

 

Na mais nova adaptação Disney para as telas em 3D, Mogli – O Menino Lobo, desenho clássico de 1967,  foi mantida a essência da história original, acrescida de efeitos especiais de encher os olhos e uma cinematografia super moderna.

Para quem não sabe, a história é sobre um menino que vive na floresta junto com os lobos, sendo encontrado por Bagheera (Ben Kingsley), uma pantera, que acredita que Mogli (Neel Sethi) precisa ter uma família para sua proteção. Bagheera entrega o menino para uma matilha e lá ele é adotado por Akela (Giancarlo Esposito) e pela loba Raksha (Lupita Nyongo) que o considera como filho, enquanto é treinado para sobreviver na selva. Durante a trégua da água, quando a seca chega e todos os animais se juntam em torno do lago para saciarem a sede, o tigre Shere Khan (Idris Elba), que carrega as cicatrizes da maldade humana, aparece para enfrentá-los e questionar a presença de Mogli entre os animais. Khan promete eliminar o menino antes que ele se torne adulto.

mogli_baloo

Em sua jornada, Mogli passará por muitos perigos e aventuras, conhecendo pessoas especiais e outras nem tanto, como uma cobra traiçoeira (Scarlett Johanson) que conta como foi parar na floresta (aliás, essa cena é arrepiante). Além disso, ele encontrará também macacos liderados pelo Rei Louis (Cristopher Walken) e faz amizade com Balu (Bill Murray), um urso preguiçoso que não é só o alívio cômico do filme, mas tem papel importantíssimo no desenvolvimento dele. Com Balu, Mogli entende que a amizade é muito mais que uma troca de favores. A relação entre os dois personagens é um dos pontos fortes do filme.

Em Mogli – O Menino Lobo o que impressiona mesmo são os efeitos visuais. Se possível, assista em 3D e legendado, pois o time de atores responsáveis pelas vozes dos personagens está impecável. O 3D é incrível, a interação de Mogli com os animais foi realizada com perfeição. Em alguns momentos, me senti realmente em uma floresta.

the-jungle-book

Há muitas cenas violentas e o filme também peca por isso. Não é uma produção totalmente infantil, por mais que em muitos momentos pareça. Meio infantil, meio violento, meio musical… O filme não está bem definido, e vejo isso como um erro. Talvez fosse necessário encontrar um público específico, para obter mais sucesso na sua execução. Mas acredito que no quesito “alcance de público” ele já bateu todas as suas metas, pois é sucesso absoluto de público, sendo aclamado pela crítica, além de se tornar atualmente o filme de maior bilheteria do diretor Jon Favreau (Homem de Ferro).

É um bom filme, que emociona, que empolga e traz nostalgia. É dinâmico, bem feito e original, mesmo sendo um remake. O olhar vale a pena.

Leia Nossas Critícas