CRÍTICA | Unbreakable Kimmy Schmidt estreia 2ª temporada no Netflix

CRÍTICA | Unbreakable Kimmy Schmidt estreia 2ª temporada no Netflix

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CRÍTICA | Unbreakable Kimmy Schmidt

Unbreakable Kimmy Schmidt estreia segunda temporada na Netflix. A série criada por Tina Fey, sucesso de público e crítica, ganhou uma nova temporada no serviço de streaming Netflix, estreando no mês de abril.

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Estreou na metade do mês de abril a segunda temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt, série de Tina Fey, aclamada produtora e roteirista americana. A série gira em torno de Kimmy, uma mulher que passou 15 anos confinada em um bunker por um pastor que dizia estar salvando ela e outras quatro mulheres do apocalipse. Kimmy Schmidt (Ellie Kemper, de The Office), ao ser resgatada em uma operação policial, ressurge no mundo moderno e decide retomar sua vida na cidade de Nova York, encontrando um lugar totalmente diferente do que imaginava. Ela então inicia uma jornada de muitas descobertas e amadurecimento.

A série continua usando um tom bastante sarcástico e leve, um humor que parece ingênuo, mas não é. Com tiradas rápidas e muitas referências a cultura pop e acontecimentos atuais, a série mantem-se afiada. Tina Fey é uma das melhores produtoras e roteiristas da atualidade, na minha opinião. Ela sabe visualizar e atingir um público específico com muita facilidade ao incorporar esses elementos atuais no roteiro da série, que a meu ver, é o ponto forte de Unbreakleble Kimmy Schmidt.

A série também conta com personagens muito bem construídos, como Jacqueline Voorhees (Jane Krakowski, 30 Rock), que nesta temporada está ainda mais engraçada e autodepreciativa que na primeira. Jaqueline agora está “falida”, conseguindo apenas 12 milhões do marido no divórcio, e não consegue mais manter a vida luxuosa de madame que tinha anteriormente, caindo em depressão. Titus (Tituss Burgess) continua incrível. Um personagem que ganha facilmente o público, mesmo com seu egocentrismo e, muitas vezes, se aproveitando da ingenuidade de Kimmy. Acredito que seja o personagem mais marcante na série. Este papel deu a Tituss Burgess a sua primeira indicação ao Emmy para Melhor Ator Coadjuvante de Comédia ou Musical.

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Aqui tudo é bem pensado, desde os diálogos super afiados até a escolha da trilha sonora, sempre muito nostálgica. O humor é agradável e incorpora assuntos políticos e culturais com muita inteligência. A nova temporada conseguiu superar a primeira e tem todos os elementos para tornar-se a série queridinha da vez. Os episódios são curtos e o tom usado é tão agradável que em pouco tempo é possível assistir a temporada inteira. O problema é que para assistir novos episódios, é preciso esperar mais um ano.

Leia Nossas Critícas

LISTA | 4 filmes para entender melhor a ditadura militar no Brasil

LISTA | 4 filmes para entender melhor a ditadura militar no Brasil

Still de Goleiro filme de Cao Hamburger

Still de Goleiro filme de Cao Hamburger

A ditadura militar de 1964 é um tema que voltou a ser bastante pertinente nos últimos dias. Por perceber que muita gente não entende muito bem o assunto ou sente necessidade de se aprofundar um pouco melhor no tema, resolvi organizar uma lista com 4 filmes bastante informativos além, é claro, do seu valor para o cinema nacional.

 

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Cabra Marcado Para Morrer (1984) – Eduardo Coutinho

Cabra Marcado Para Morrer conta a história de vida de João Pedro Teixeira, um líder camponês da Paraíba assassinado em 1962. O filme foi interrompido em 1964, em razão do Golpe Militar em curso no Brasil em 1964, e retomado apenas 17 anos depois.  Eduardo Coutinho, um dos meus diretores favoritos de sempre, reúne os mesmos técnicos, locais e personagens para contar essa história. Um filme assustadoramente atual, que merece ser visto por aqueles que sentem aquela sede de conhecer a verdadeira face da história. Não só o conteúdo do filme é muito emblemático, mas também a forma como ele foi filmado e a atitude baseada na sua produção e lançamento.  Vale a pena ser visto.  Coutinho não sabe o quanto somos agradecidos por ter retomado, tantos anos depois, as gravações deste filme.

 

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Tatuagem (2013) – Hilton Lacerda

Tatuagem se passa em Recife no ano de 1978. Apesar de ser uma ficção, o filme se passa na época da ditadura militar, abordando este tema com uma suavidade que dá gosto de ver. Em tempos onde o ódio sustenta a maioria dos debates políticos, este filme se baseia em um símbolo ainda mais desafiador. Totalmente artístico, transgressor, desconstrói paradigmas e é totalmente sem vergonha. Poesia sem pudor.

 

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Zuzu Angel (2006) – Sérgio Rezende

Brasil nos anos 60. A famosa história de uma estilista de moda famosa no Brasil e no exterior, mas que teve seu filho envolvido na luta armada contra a opressão exercida na ditadura militar.  Paulo, seu filho, é preso e torturado até a morte. Ela então inicia uma busca incessante pelo corpo do filho, para que possa enterrá-lo em paz. É um filme que tem falhas, que usa o velho tom novelístico já bem conhecido, mas que é importante. Fundamental para entender este período tão sombrio da nossa história.

 

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O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006) – Cao Hamburguer

Narrado em primeira pessoa, por uma criança. Um filme bonito e muito competente, que se passa nos anos 70 e tem Mauro, um garoto mineiro de 12 anos de idade que adora futebol e jogos de botão.  De repente, os pais de Mauro precisam sair de férias, o que muda completamente a vida do garoto. Na verdade, os pais de Mauro foram exilados e precisaram sair do país. O interessante é que o longa se passa da forma que o garoto enxergava a situação. Um tema tão duro e pesado é retratado de uma forma sutil e inocente, aos olhos de um menino acompanhando os jogos da Copa do Mundo e esperando ansiosamente pela ligação dos pais. É triste, mas necessário. Foi o escolhido do Brasil para representar o país no Oscar de 2008.

 

 

 

 

 

LISTA | 5 documentários da Netflix que vão expandir sua visão de mundo

LISTA | 5 documentários da Netflix que vão expandir sua visão de mundo;

Blackfish

LISTA | 5 documentários da Netflix que vão expandir sua visão de mundo

O serviço de streaming Netflix se tornou o queridinho dos cinéfilos e viciados em séries de tv, como todos sabem. Mas nela também estão guardados verdadeiros tesouros em forma de documentários, que envolvem vários assuntos, desde a vida de cantores famosos até o dia-a-dia de empregadas domésticas. Aqui vai uma lista com 5 documentários imperdíveis na Netflix, capazes de expandir a sua visão de mundo de tal forma que você poderá se tornar outra pessoa após assisti-los.

5 –  Blackfish (2014)

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Blackfish é um documentário que trata da manutenção de baleias “assassinas” em cativeiro, e o quanto essa prática é abusiva com esses animais, fazendo-os se tornarem realmente agressivos e perigosos. São relatos de treinadores, público, representantes do SeaWorld e vários especialistas, que sustentam de forma muito coerente seus pontos de vista. O filme é muito impactante, e fará com que você reveja seus conceitos sobre muitas coisas, abrindo os olhos para uma realidade que muitas vezes nos fechamos e aprendemos a ver com normalidade.

4 – Zeitgeist (2007)

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Este documentário certamente divide opiniões, principalmente pelo fato de expor questões religiosas e dogmáticas. Zeitgeist desfaz facilmente muitas certezas sobre questões religiosas, o ataque de 11/09, o sistema financeiro e outras questões que esses tópicos envolvem. É um daqueles filmes conspiratórios. Para quem gosta do gênero, considero uma ótima pedida. Zeitgeist é para dar uma “viajada” assistindo, pois ele exige um pouco de imaginação e, claro, que tenhamos senso crítico para extrair os prós e contras das ideias que ele desenvolve. Se você não gosta de ter suas certezas desafiadas, ele pode te incomodar muito.

3 – The True Cost (2015)

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Esse documentário é bastante novo na Netflix, sendo lançado no fim do ano passado. Um dos últimos filmes que vi e que me deixaram realmente estarrecida. Ele aborda a questão da exploração e escravidão que existe por trás da indústria da moda, principalmente fast fashion. É claro que eu já tinha ouvido falar, lido textos e estava um pouco familiarizada com essa situação, mas ouvindo as histórias sendo documentadas e os relatos de crianças trabalhando em tempo integral,  eu senti que precisava desse documentário para perceber que o mundo é muito maior do que está de baixo do meu nariz. Existem realidades que não fomos apresentados.

2 – Doméstica (2013)

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Documentário nacional que segue uma linha bastante inovadora.  Gabriel Mascaro entrega uma câmera para 5 famílias monitorarem o trabalho de suas empregadas domésticas no serviço, além dele mesmo filmar-se durante o serviço, contando histórias, anseios e medos. É muito interessante e verdadeiro, além de propor discussões muito validas. O fato das empregadas manusearem a câmera e gravarem a si mesmas estabelece uma relação muito orgânica com o espectador.  Com um pouco de sensibilidade, é possível sentir a tristeza implícita em cada situação documentada.

1 –  Ônibus 174 (2002)

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Tem como não se sentir uma pessoinha egoísta que vive numa bolha de privilégios depois de assistir este documentário? Ônibus 174 também se passa no Brasil. É a história de um dos assaltos mais famosos da história do país, no Rio de Janeiro, onde um homem sequestrou o ônibus 174. O filme vai além do que foi televisionado, mostrando o passado de Sandro (o autor do assalto), aprofundando-se em todas as camadas de sua vida para tentarmos entender um pouco a problemática da violência no Brasil. Documentário muito forte, triste e desanimador em muitos níveis, para se dizer o mínimo.  Ônibus 174 foi dirigido por José Padilha (Tropa de Elite e Narcos) com maestria. Esteja preparado para levar muitos tapas na cara.

VOANDO ALTO (2016) | Uma divertida jornada rumo ao sonho |Crítica

VOANDO ALTO (2016) | Uma divertida jornada rumo ao sonho | Crítica

VOANDO ALTO (2016) | Uma divertida jornada rumo ao sonho | Crítica

VOANDO ALTO (2016) | Uma divertida jornada rumo ao sonho | Crítica

 

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Sabe aqueles filmes que criam uma atmosfera tão bacana que dá vontade de morar dentro dele? É o que acontece em Voando Alto (Eddie ‘The Eagle’),  filme que eu nem sequer sabia da existência antes de, por acaso, assisti-lo no cinema.  Não conhecia sinopse, elenco, nada. É um daqueles filmes encantadores, que sabem fazer o espectador torcer pela trama, nos envolvendo de tal forma que passamos a torcer para que o filme não termine.

Ele conta a história real de Eddie, um menino desajeitado que sonha em participar dos jogos olímpicos. Ele, desde muito novo, tenta praticar alguns esportes que poderiam levá-lo a realizar este sonho, mas não consegue se encontrar em nada. Ele resolve tornar-se um ski jumper em determinada parte do filme, e é aí que tudo se desenrola. Huck Jackman interpreta o treinador de Eddie, um personagem muito carismático, que também ganha a torcida do público.

Há uma química muito boa entre todos em cena, além do carisma que o filme possui. Todos se correlacionam muito bem, de forma que você às vezes esquece que os relacionamentos estabelecidos no filme são entre atores. Quando um elenco não se dá bem em cena, você senta a falta de afinidade e carisma. Você percebe a falha na execução como um todo, de modo que nas cenas em que se deveria torcer pelos protagonistas você é totalmente indiferente, e nas cenas emotivas, simplesmente não se comove. Quando uma boa relação entre atores x personagens existe, você não só torce, como vibra, chora e sorri espontaneamente. Aliás, foi difícil parar de sorrir durante a sessão.

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O diretor Dexter Fletcher cria uma ambientação nostálgica maravilhosa, o que para mim é um dos pontos de destaque de Voando Alto. A vibe anos 80, com uma trilha sonora animadinha e cenas divertidas, fazem dele um filme totalmente alto astral. Taron Egerton interpreta Eddie com muita verdade e muito êxito na construção do personagem. Acima de tudo, Taron dá conta do fator carisma, algo crucial na interpretação de Eddie, um personagem amado pelo público. Fiquem de olho nesse menino: ele pode nos surpreender ainda mais!

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O filme tem problemas, sim, como a pieguice tantas vezes empregada pelo cinema inglês. Não sei se só eu me incomodo com isso, mas sempre noto que os filmes de comédia ingleses usam um tom muito semelhante na comédia, que às vezes soa muito “brega” ou “já vi algo assim antes”. Isso é um problema, porque tira a beleza da originalidade do filme. Mas esse é um detalhe tão pequeno que para ser honesta, para mim não fez diferença. Voando Alto é um filme inspirador. É engraçado, fofo e cheio de carisma. Arranca sorrisos e lágrimas, como se estivéssemos lá dentro, torcendo por Eddie. Só que estamos aqui do outro lado da tela, com aquele sentimento bom de ter vivenciado um filme encantador.

Leia Nossas Critícas

LISTA | 10 Filmes com reviravoltas surpreendentes

LISTA | 10 Filmes com reviravoltas surpreendentes

LISTA | 10 Filmes com reviravoltas surpreendentes

LISTA | 10 Filmes com reviravoltas surpreendentes

 

Filmes com finais surpreendentes sempre me ganharam, desde muito nova. Eu sempre admirei esse tipo de produção, pois elas me faziam perder o ar quando acabavam, me tiravam o sono e me deixavam pensando naquilo por dias. Esse é um dos principais motivos que, no início, me fizeram amar o cinema: a capacidade de mexer com o espectador de uma forma tão profunda e genuína.  Um filme para ser bom não precisa necessariamente de uma reviravolta, claro, mas quando elas existem (principalmente as mais inesperadas) eles facilmente me ganham.

Nesse artigo estarei listando os meus favoritos, em ordem crescente, de acordo com o meu gosto e nível de surpresa. O único spoiler dessa lista é a certeza de que, ao final desses 10 filmes, você ficará de boca aberta por alguns segundos. Ah! Não tem Psicose, Os Suspeitos e O Sexto Sentido pelo simples fato de serem escolhas óbvias demais.

10.  O Nevoeiro (2007) – Frank Darabont

Laurie Holden, Thomas Jane and Nathan Gamble star in Frank Darabont's adaptation of Stephen King's The Mist.

Eu te aconselho a assistir O Nevoeiro sem ler a sinopse, ver trailer ou procurar resenhas na internet. Assista sabendo apenas que o desenrolar dele se dá com uma pacata cidade recebendo uma violenta tempestade. Só isso. Não diria que o final contém uma grande reviravolta, mas o que acontece é, no mínimo, desagradável.

9. Desejo e Reparação (2008) – Joe Wright

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Filmes de romance também podem ter reviravoltas surpreendentes. Desejo e Reparação foi uma produção aclamada pela crítica na época de seu lançamento, sendo indicado a vários prêmios e ganhando alguns deles, como o Globo de Ouro de Melhor Filme na categoria Drama. Vencedor do Oscar de melhor trilha sonora (que aliás, é genial e uma das minhas favoritas de sempre). O filme tem duas fases, em épocas diferentes, e é sobre uma história de amor interrompida por um mal entendido.

8.  A Vila (2004) – M. Night Shyamalan

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Eu considero A Vila um dos filmes mais geniais de todos o tempos. Primeiro porque ele cria uma tensão incomum, que diga-se de passagem, não é fácil de encontrar em qualquer filmezinho por aí. Quando mais nova gostava de ver filmes de terror para “sentir medo”. Se ele falhar nesse quesito, trata-se de um filme ruim. Tive a oportunidade de rever A Vila alguns anos depois, e mesmo sabendo tudo que acontecia no final, foi como se fosse a primeira vez. O diretor brinca com a construção do medo e do desconhecido, te deixa questionamentos, cria metáforas e nos presenteia com um belíssimo tapa na cara ao final.

7. Onde Os Fracos Não Tem Vez (2007) – Ethan e Joel Cohen

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Vencedor do Oscar de 2007, No Country For Old Man é um filme tenso, com atuações imperdíveis e uma direção primorosa dos irmãos Cohen, que não sou muito fã, mas aqui tiro o chapéu. O que parecia ser um suspense convencional, ao final e absolutamente do nada, uma reviravolta muda completamente o rumo das coisas. Existem muitas análises interessantíssimas a respeito do filme, mas, para muitos, ele não fez sentido algum. Na verdade, eu até gosto de filmes que não tem um sentido objetivo. Gosto da subjetividade, da possibilidade de várias pessoas absorverem o conteúdo da sua forma.

6. Dogville (2004) – Lars Von Trier

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Dogville é um filme longo, difícil, mas que vale muito a pena. Para mim ele é, de longe, o melhor trabalho do Lars Von Trier. O caráter experimental, a forma como ele foi narrado e o final fazem dele uma experiência única e surpreendente. Eu disse surpreendente, não agradável.

5. Seven – Os Setes Crimes Capitais (1995) – David Fincher 

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Confesse: você ficou revoltada com o final de Seven – Os Sete Crimes Capitais. A primeira obra-prima de David Fincher tem um fim surpreendente, chocante e, no mínimo, agonizante. Ele gira em torno de um serial killer que atribui para cada assassinato, um dos 7 pecados capitais. O filme é precursor de vários outros que começaram a surgir logo após o seu lançamento, tornando-se facilmente um clássico que merece ser visto.

4. Clube da Luta (1991) – David Fincher

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Vai ter dobradinha de David Fincher, sim! É inegável (para se dizer o mínimo) o poder dessas duas produções. Além de marcaram o nome de Fincher na história do cinema, o filme é repleto de ótimas frases de efeito e o final, ah, o final… Vai te deixar muitos questionamentos, disso tenho certeza.

3. Relatos Selvagens (2014) – Damián Szifron

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Com certeza um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos. Na verdade, não se trata de um, mas vários finais surpreendentes e reviravoltas inimagináveis. O filme reúne várias histórias de pessoas vivendo situações extremas. O roteiro é brilhante e as histórias são muito bem construídas. Cinema argentino de primeira qualidade, vale a pena ser visto e revisto.

2. Os Outros (2001) – Alejandro Amenábar 

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Um clássico. Eu acho que grande parte da população cinéfila mundial já assistiu Os Outros, até porque, na época houve um burburinho grande em cima dele. Sua importância para o cinema, principalmente para o terror (que carece de boas produções) é enorme. O final é surpreendente e muito, muito bem construído. Muitos filmes com grande reviravoltas falham em conter muitos furos na trama, as coisas simplesmente não encaixam. Recomendo que se assista ao filme pelo menos uma segunda vez, e verá a genialidade de sua construção, em cada detalhe. A mão de soltar spoiler chega a tremer.

1 . Cidade dos Sonhos (2001) – David Lynch

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Um dos filmes mais questionados e igualmente incríveis de todos os tempos. Até hoje, levanta mil e uma dúvidas e incertezas. Pra mim, é isso que torna Cidade de Sonhos uma obra tão fascinante. O diretor chegou a dar 10 dicas para entender o filme, com pistas de objetos para prestar atenção. Segundo Lynch, ele nunca vai explicar nenhum de seus filmes.

Não quero estragar a experiência de ninguém. O filme é uma coisa completa. Como na meditação, não se deve adicionar nem retirar nada. Você não sai por aí desenterrando autores mortos e perguntando a eles o que eles quiseram dizer com isso ou aquilo. É preciso descobrir por si próprio. Toda interpretação é válida.”

 

FULLER HOUSE (2016) | Nostalgia e humor inocente na Netflix | Crítica

FULLER HOUSE (2016) | Nostalgia e humor inocente na Netflix | Crítica

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Quem não lembra de Três é Demais, a série ainda hoje reprisada pelo SBT, que tinha o tio Jessie cantando músicas quase todo episódio e as gêmeas Olsen interpretando Michelle, uma menininha super esperta e engraçada? Depois de 21 anos a série está de volta e com uma temporada completa já na Netflix. Para quem não lembra, a história de alguns (muitos) anos atrás era basicamente essa: Danny, Jesse e Joey (Bob Saget, Dave Coulier e John Stamos) eram três irmãos solteiros que criavam junto as irmãs D.J, Stephanie e Michelle (Candace Cameron Bure, Jodie Sweetin e Mary-Kate/Ashley Olsen). Era uma série leve, com humor inocente e personagens carismáticos, que era o que vendia nos anos 80/90.

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Elenco original de Três é Demais (Full House) nos anos 80

A série volta partindo de uma premissa parecida com a original, mas agora é DJ quem vai cuidar de três filhos com a ajuda da irmã Stephanie e de Kimmy (Andrea Barber), que substitui as irmãs Olsen já que nenhuma das duas quis se envolver com a produção. Quem acompanhou Três é Demais na infância com certeza ficou curioso para saber qual o motivo de reviverem essa série porque, para isso, o motivo tem que ser muito bom. É perigoso mexer em uma produção (seja filme ou série) de sucesso que já terminou, porque às vezes isso pode acabar estragando algo que não precisava de mais nada. Se acabou, acabou.

A série tenta se sustentar basicamente reprisando episódios antigos usando e abusando de flashbacks, mostrando o antes e depois dos personagens. A nostalgia se faz presente no primeiro episódio com todos os personagens antigos reunidos revivendo seus personagens e dizendo seus bordões de sucesso. Percebemos o quanto o tempo foi generoso com uns, mas nem tanto com outros (é o caso do pai das três meninas, Bob Saget está absolutamente irreconhecível). A sensação é gostosa no início, mas depois a série vai mostrando a que veio: é tentado a todo minuto emplacar piadas e mais piadas, mas que não são engraçadas. O problema do sitcom que não faz rir é que as risadinhas de fundo chegam a irritar, porque você sabe que não aconteceu nada de engraçado ali.

Mas Fuller House também não chega a ser uma série totalmente ruim. Quando os produtores resolveram dar mais destaque ao filho do meio de D.J., Max, que tem um timing perfeito para comédia e absolutamente tudo que ele faz ou é engraçado, ou fofo, ou carismático, tudo começa a melhorar. Confesso que assisti até o último episódio (o que não é difícil, os episódios são curtos) por causa desse garotinho.

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DJ, Stephanie e Kimmy com o novo elenco infantil de FULLER HOUSE

A série tenta resgatar o humor leve e inocente dos anos 80, investindo no carisma dos personagens e na nostalgia dos fãs de Três é Demais. Não há nenhum outro propósito (ou parece não haver) para a série ter voltado, apenas esse. De todo modo, ela funciona como um passatempo despretensioso para quem gosta desse tipo de TV Show, e parece dar certo quando explora os personagens infantis, que são engraçados e possuem carisma. O elenco adulto não impressiona, mas o núcleo infantil é promissor. Se os produtores prestarem atenção nisso, a segunda temporada pode surpreender.

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A BRUXA (2015) | O terror além dos sustos | Crítica

Crítica – A Bruxa (2015)

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Crítica – A Bruxa (2015)

Vamos começar deixando bem claro: A Bruxa não é um blockbuster, não se trata de um terror convencional que dá sustos e reproduz aquelas cenas clássicas que todo mundo já está cansado de ver e adivinhar o que acontece. Não vá pensando que será entretenimento fácil, pois você pode se decepcionar bastante. É cheio de metáforas, é pesado, sem escrúpulos e bastante intrigante. Nos dias de hoje, filmes de terror realmente inovadores estão cada vez mais raros. É totalmente compreensível e igualmente animador que A Bruxa, filme de Robert Eggers, tenha chamado a atenção não só do público, mas dos festivais de cinema também. Robert Eggers levou o prêmio de Melhor Diretor em Sundance, o que considero bastante merecido.

Eggers conseguiu criar uma ambientação que eu considero perfeita: soturna, com filtro acinzentado, nevoeiro, floresta de árvores enormes e trilha sonora arrepiante. Ouvi gente dizendo que o filme foi vendido de forma errada, com um trailer que sugeria um desenrolar totalmente diferente, algo que não concordo: eu notei, no primeiro olhar, que havia algo único e especial neste filme assim que assisti ao trailer.

Ele se passa em 1630, época em que o Cristianismo era uma obrigação à todas as famílias. Nessa época, qualquer desvirtuação dos padrões cristãos significaria morte, sofrimento e exclusão. O longa tem início com a família (irei chamá-los apenas assim, pois seus sobrenomes não são ditos) sendo expulsa da vila em que moravam, mas não sabemos o motivo. O desenrolar do filme se dá com seus integrantes indo morar em uma casa totalmente isolada e distante da sociedade, dentro de uma enorme e macabra floresta.

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Cena de A Bruxa, filme de Robert Eggers (2015)

A Bruxa aborda questões como extremismo religioso, o papel da mulher na sociedade, o medo do desconhecido, as liberdades sexuais…. São muitas interpretações. Não é corriqueiro encontrarmos filmes de terror que abordem tantos assuntos, e sejam tão fortes em suas simbologias. O diretor mergulha no universo dos contos de bruxas e da filosofia Wicca, evidenciando símbolos como o coelho, que significa transformação, e uma cabra, que simboliza libido, fecundidade. Acredito que a relação feminino x igreja seja o pilar que sustenta o desenvolvimento do filme.

Entre os atores, quem brilha é Anya Taylor-Joy com sua interpretação de Thomasin, uma personagem que já tem seu lugar em minha lista de memoráveis. A entrega da jovem atriz ao papel é admirável, e eu espero vê-la brilhar ainda mais em outras interpretações.  Thomasin questiona, o tempo todo, seu valor para a família além de lavar as roupas do pai, cuidar dos irmãos e tirar leite de cabras. Apesar de toda a dedicação que tem com todos, recai sobre ela a culpa de todos os problemas que acontecem. A todo momento ela se inferioriza e questiona suas vontades, que ao que indica, vão contra os princípios religiosos da família. Harvey Scrimshaw, que interpreta Caleb, também tem seus bons momentos no filme.

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Thomasin, personagem de Anya Taylor-Joy

A maneira que a edição foi conduzida é mais um ponto positivo, além da fotografia, que é belíssima. Não há explicações dialogadas, algo que gosto bastante, pois sinto que a inteligência do espectador é meio que questionada quando elas existem. O ritmo da direção é lento e isso algumas vezes incomoda, mas para o resultado final, a sutileza dos detalhes fazem a diferença. Em alguns momentos, percebo que o modo de dirigir de Eggers bebe da fonte de Bergman, Shyamalan e um pouco da fase boa do Lars von Trier. Vi pessoas destacando as semelhanças do estilo de Eggers e Von Trier, e até consigo vê-las, mas há algo que os diferencia: Eggers não é tão pretensioso e soube chocar o espectador de uma forma muito mais natural, sem fazer tanto esforço. É preciso talento para isso!

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Difícil escrever sem soltar spoilers, pois acabo de sair da sessão de cinema e ele está bem fresco na memória. Sinto quase que uma necessidade de usar exemplos para fazer uma análise mais detalhada, pois assim consigo “digerir” melhor o que foi visto, mas não quero estragar a experiência de ninguém. Tudo que posso dizer é que A Bruxa é um filme imperdível, que vai além da estrutura convencional de filmes de terror, já tão massificada. É do tipo que deixa o espectador apreensivo e igualmente fascinado com a trama, te imergindo totalmente naquele universo. O final é de arrepiar. Para mim, um dos lançamentos do ano.

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Artigo: Girl Power – 8 filmes com mulheres fortes

Girl Power: 8 filmes com mulheres fortes

Girl Power: 8 filmes com mulheres fortes

Girl Power: 8 filmes com mulheres fortes

No dia 8 de março, essa semana, foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. Ainda não é tão tarde para listar meus 8 filmes favoritos com mulheres fod*s, não é mesmo? Aqui estão reunidos filmes que protagonizam mulheres e que tentam representá-las muito além do “sexo frágil”. Em alguns deles elas nem são protagonistas, mas é como se fossem. As mulheres retratadas nesses filmes são fortes, empoderadas e absolutamente incríveis! Confira a lista.

8. À Prova de Morte (Death Proof), 2007

Eu poderia colocar nessa lista vários filmes do Tarantino como Kill Bill, Bastardos Inglórios e Jackie Brown, filmes onde as mulheres não estão ali só de enfeite: elas são cruciais para o desenvolvimento dessas estórias. Mas eu resolvi escolher apenas um: Death Proof, que é um daqueles filmes com tantas mulheres incríveis que você termina querendo ser amiga delas. Você torce e vibra com elas – e nem precisa ser mulher para isso.

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Death Proof (2007) 

7. A Saga Jogos Vorazes (The Hunger Games), 2012-2015

A franquia Jogos Vorazes conquistou um público tão grande porque, dentre outros fatores, protagoniza uma mulher corajosa, forte e que ainda salva todo mundo do filme – inclusive homens. Grande parte das franquias de Hollywood exploram mulheres frágeis e caras que as dominam, mas aqui acontece exatamente o contrário: é a Katniss que rouba a cena.

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Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes

6. Volver, 2006

Do diretor Pedro Almodóvar, Volver é um filme sobre mulheres em situações inusitadas, o que é típico do diretor. As conversas entre as três personagens de uma mesma família envolvem solidariedade feminina, que é o que as mantém unidas, mesmo com todas as diferenças de personalidade.

 

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Volver, de Pedro Almodóvar (2006)

5. Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, 2011

Na versão americana de The Girl With the Dragon Tattoo, que no Brasil foi traduzido para Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (não entendo essas traduções brazucas), temos Rooney Mara como Lisbeth Salander, uma mulher que passou por muitos problemas, que só a fizeram mais forte. Ela é uma hacker vingativa, que protagoniza uma das cenas mais icônicas sobre mulheres que sofreram abuso sexual.

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Lisbeth Salander, interpretada por Rooney Mara na versão americana

4. Mulan, 1998

Ela tinha que estar aqui, representado as mulheres de desenhos animados. A heroína de Valente também é um grande exemplo de protagonista que representa a força feminina, mas a Mulan veio primeiro. Foi e continua sendo até hoje a minha princesa Disney favorita de sempre. A Mulan é corajosa, ao mesmo tempo que doce, meio desastrada, mas uma guerreira. Eu sempre me identifiquei com o fato dela se sentir meio deslocada na sociedade, ao mesmo tempo que só queria dar orgulho aos seus pais. Ela fez eles se orgulharem não por arranjar um bom marido, mas por ter salvado toda a China, algo inimaginável para uma mulher. A considero uma protagonista complexa, mas que ao mesmo tempo, encanta pessoas de todas as idades.

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Mulan, 1998

3. Planeta Terror, 2007

A Cherry Darling (Rose McGowan) era só uma go-go dancer frustrada buscando sentido para sua vida e um uso para seus ditos “talentos inúteis”. E ela encontrou: matar zumbis com sua perna-metralhadora. Não preciso dizer mais nada.

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Rose McGowan em Planeta Terror, 2007

 2. Mad Max – A Estrada da Fúria, 2015

“Nós não somos coisas”. As mulheres em Mad Max lutam para não serem mais vistas como mercadorias. Isso não soa familiar? Furiosa, personagem de Charlize Theron, não está ali para formar par romântico de Max, mas para salvar as Cinco Esposas de suas vidas de abuso e privação.  E para onde ela quer levá-las? Para uma cidade onde as mulheres estão no comando.

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Mad Max – A Estrada da Fúria, 2015

 1. Thelma & Louise, 1991

“Por favor, tenho mulher e filhos”
“Tem mesmo? Sorte a sua. Seja carinhoso com eles. Principalmente com ela. Meu marido não era, e olhe só no que deu”.

Elas são as minhas heroínas. O primeiro exemplo que me vem à cabeça quando eu penso em empoderamento feminino no cinema. Eu já sou apaixonada por road movies, mais ainda quando ele é sobre duas mulheres fugindo de suas vidas sem graça.

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Thelma & Louise, filme de 1991

Esses foram os 8 filmes com minhas personagens femininas favoritas. Aliás, foi bem difícil escolher só oito. De que grande mulher da ficção você sentiu falta nessa lista? Conta pra gente nos comentários.

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