CRÍTICA | ‘A Chegada’ é um dos melhores filmes de 2016

CRÍTICA | ‘A Chegada’ é um dos melhores filmes de 2016

 

Minha meta é comentar todos os filmes do Oscar até a entrega da premiação, mesmo que já tenha um certo tempo da estreia, que no caso de A Chegada, foi em novembro de 2016.

O enredo tem seu desenrolar quando seres interplanetários deixam marcas na terra, e a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma professora especialista em linguística, é procurada pelos militares para ajudar na comunicação com os aliens e descobrir o por que deles estarem na terra.

A tensão estabelecida durante o filme inteiro, tanto pela fotografia nebulosa e com cores frias, sempre retratando um início de manhã ou fim de tarde, quanto pela trilha sonora e até mesmo a forma como vamos descobrindo, assim como Louise, o significado de tudo. Não espere por algo “espetacularizado” demais, pois até o desfecho dos mistérios do filme são respondidos de forma sutil e muito sensível.

A direção de Denis Villenueve é sensacional, ele soube construir satisfatoriamente uma linha do tempo totalmente compreensível, ainda que deixe algumas dúvidas para quem não entendeu a proposta do filme. Se você não entendeu de imediato, existem algumas explicações pela internet que podem te ajudar com isso. Elas farão você perceber perfeitamente o cuidado que Villenueve teve com a construção do longa.

À medida que a história atingia o seu clímax, começamos a perceber que todos os clichês de scifi sobre os extraterrestres na terra estavam sendo desfeitos, pois A Chegada quer passar uma mensagem totalmente diferente. É um filme de aliens não sendo um filme de aliens, se é que me entendem. Para mim, é como uma metáfora que representa a importância da interpretação da linguagem, e do quão devastadora pode ser a falta dela.

Amy Adams: Injustiçada pela Academia?

Falando de Amy Adams, que para muitos foi injustiçada pelo Oscar por não ter levado uma indicação. Gosto da atriz, mas não há tanto espaço para que ela dramatize tanto, pois a sua interpretação foi bastante ponderada. Por exemplo, não há cenas que exigem tanta entrega como Marion Cotillard interpretando Edith Piaf em seus últimos dias, ou Natalie Portman deixando de ser uma garotinha boba para se tornar uma mulher obscura em Cisne Negro. Vocês me entendem? Eu acredito que até cabia uma indicação para Adams, mas não é tão incompreensível assim o fato dela ter sido “esquecida” pela Academia.

O filme gira em torno de decisões e linguagem. É sobre comunicação e a importância disso tudo para a nossa humanidade. Vocês imaginam quantos problemas tivemos com a falta de diálogo entre nossos povos? Em um dado momento, Louise diz que uma teoria sustenta que a língua que você fala determina como você pensa, como você enxerga as coisas. Já parou para pensar nisso? Eu tenho certeza que, ao final do filme, você vai ter muita coisa para conversar com as pessoas que partilharam dessa mesma experiência. Não dá para ficar alheio à discussão. Selo Isso É Muito Black Mirror de qualidade.

“Eu pensava que este era o começo da sua história. A memória é uma coisa estranha. Não funciona como eu imaginava. Estamos tão presos pelo tempo, pela sua ordem. Lembro-me de momentos no meio… e este foi o fim. Mas agora não acredito em inícios e fins. Há dias que definem sua história além da sua vida, como o dia em que eles chegaram.”

 

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CRÍTICA | La La Land – Cantando Estações

CRÍTICA | La La Land – Cantando Estações

Novo filme do diretor Damien Chazelle, de Whiplash, La La Land – Cantando Estações é a produção mais comentada dos últimos tempos. Como tudo que ganha o público e as premiações, logo começou a ser tachado de superestimado e hypado. Eu nunca entendi muito bem o sentido disso, mas você sabe que é verdade…

La La Land é sobre Mia, uma aspirante a atriz que trabalha em uma cafeteria nos estúdios Warner, e Sebastian, um pianista talentoso e fã de jazz que sonha em abrir seu próprio estabelecimento. Os dois estão em busca de suas aspirações, enquanto vivem um romance. Pois bem. O filme bebe de muitas fontes, é como um apanhado de inspirações que, quando mescladas e recontextualizadas, não parecem imitações. Dá pra entender? A sensação que tenho, apesar de não entender muito da parte técnica do fazer cinema, é que filmar cenas de musicais em plano sequência não é tarefa fácil. Chazelle faz parecer.

O filme é quase onírico, mistura sonho e realidade o tempo todo. Possui uma estética doce, que lembra os musicais clássicos da era de ouro de Hollywood (mas só lembra, não é nada disso). Com cores vibrantes e uma fotografia de encher os olhos, La La Land impressiona esteticamente falando. O enredo não é muito complexo, mas o desenrolar é inteligente e não parece forçado. Esses dias assisti Sully, novo filme de Clint Eastwood, e consegui perceber, mesmo em uma obra vinda de um diretor tão excepcional, quantos esforços foram feitos para fechar os 90 minutos de filme (o tal acidente do avião no rio Hudson durou 260 segundos).

As cenas musicadas são extremamente bem dirigidas e de muito bom gosto. Particularmente não gosto da ideia de dividir o filme em estações, isso já foi feito muitas vezes. O romance é honesto e, de novo, a melhor coisa do filme. A química entre Emma e Ryan é incrível, e seus personagens foram bastante bem construídos. Mia (personagem de Stone) ainda mais. Inclusive, ela é minha favorita para o Oscar. Nas cenas em que ela está gravando testes, seu talento se sobressai. Eu lembrei muitas vezes de Naomi Watts (injustiçada pela Academia) em Cidade dos Sonhos, do Lynch.

Em relação ao desfecho, que vem dividindo opiniões e interpretações, prefiro não intervir. Há uma explicação óbvia, mas também há outras, tão boas quanto. Ele não veio mastigado e enlatado, é bem mais subjetivo. De uma coisa eu estou certa: City Of Stars vai levar o Oscar de canção original. Eu tô tentando tirar o assobio do Ryan Gosling da minha cabeça há dias.

 

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CRÍTICA – Esquadrão Suicida: DC decepciona (mais uma vez) .

CRÍTICA – Esquadrão Suicida: DC decepciona (mais uma vez)

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CRÍTICA – Esquadrão Suicida: DC decepciona (mais uma vez)

Vamos lá. Me envolver nessa briguinha de fãs da DC x fãs da Marvel não é fácil. Não sou fã de um e nem de outro, diga-se de passagem. Não leio os quadrinhos de nenhum desses, estou aqui para escrever sobre os filmes apenas. Só pra deixar claro.

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Margot Robbie interpreta Arlequina em Suicide Squad

Esquadrão Suicida (2016) era uma grande promessa para 2016, principalmente pelo eletrizante trailer que foi lançado nas redes sociais em Janeiro de 2016. Confesso, também fiquei muito curiosa pra ver. Tentei duas vezes ir ao cinema assistí-lo na semana de estreia, mas sem sucesso, pois as salas já estavam todas cheias. Acredito que todo esse burburinho se deve ao marketing, que diga-se de passagem, também tem prós e contras.

Os prós: todo o material de divulgação parecia promissor. A montagem do trailer ao som de Bohemian Rhapsody do Queen, as coletivas com os atores e a divulgação nas redes sociais, tudo cooperou para que Esquadrão Suicida fosse sucesso de público, e é inegável que foi um ótimo blockbuster em 2016, quebrando recordes que eram de Guardiões da Galáxia (Marvel, 2014) e arrecadando mais de U$ 135 milhões até agora.

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Suicide Squad (2016)

Os contras: propaganda enganosa. Mais ou menos o que aconteceu com Batman vs Superman. O filme não tem NADA do que foi visto nos trailers, nas propagandas, na internet. É uma confusão só. Parece que tiraram algumas cenas e montaram um filme diferente. É bem estranho, pra se dizer o mínimo.

O filme tem uns cortes tão estranhos que parece que os editores saíram picotando algumas cenas para diminuir o tempo dele. Além disso, a DC parece ter escutado o público quando tentou inserir (de modo muito grotesco, por sinal) um tom mais leve e descontraído, adicionando piadas esquisitas entre uma cena e outra. Ficou extremamente forçado, na minha opinião. Acredito, sim, que a DC precisa aliviar o tom, mas não dessa forma.

A melhor coisa em Suicide Squad são Deadshot (Will Smith) e Arlequina (Margot Robbie). Não gosto do curinga de Jared Leto (que a propósito, mal aparece). A Waller também tem seus momentos, mas isso é mais por causa da atuação brilhante de Viola Davis do que qualquer outro motivo. E essa Enchantress? Na minha opinião, uma péssima antagonista. A forma como ela foi apresentada não me fez detestá-la (ou criar empatia), não me fez torcer para ela se dar mal, não me fez ter medo dela… Não me fez sequer me importar com ela o filme inteiro. E o mesmo vale para o Flag, que pelo visto devia ser um dos personagens principais.

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Will Smith interpreta Deadshot em Suicide Squad

O maior problema de Batman vs Superman não foi o tom sombrio, mas sim, o roteiro fraquíssimo. Tanto que em Esquadrão Suicida o tom empregado foi mais divertido, mas sem um bom roteiro a história não tem força. E assim nasce mais um filme problemático da DC.

Mas tivemos coisas boas também. A trilha sonora é muito amor, a apresentação dos personagens foi caprichada e se você busca entretenimento, Esquadrão Suicida cumpre seu papel. Mas, infelizmente, não passa de mais um filme mediano cheio de problemas.

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CRÍTICA – Como Eu Era Antes de Você (2016) – Vale ou não vale?

[Crítica] Como Eu Era Antes de Você (2016) – Vale ou não vale?

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Como Eu Era Antes de Você – Emilia Clarke , Sam Claflin

Como Eu Era Antes de Você, adaptação do romance escrito por Jojo Moyes, é o mais recente sucesso mundial de bilheteria. As adaptações de filmes românticos estão com tudo nos últimos 15 anos, começando pelas adaptações de Nicholas Sparks, como Um Amor Para Recordar (2002) e O Diário de uma Paixão (2004).

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O filme conta a história de Will (Sam Claflin), um cara rico, bonitão e esportista, que levava uma vida perfeita até sofrer um grave acidente e ficar tetraplégico. A situação o torna extremamente depressivo e mal-humorado, o que preocupa seus pais. (Janet McTeer e Charles Dance). É nesse contexto que Louisa Clark (Emilia Clarke) é inserida: ela é contratada para cuidar de Will. De origem simples e com a família passando por dificuldades financeiras, ela faz o possível para melhorar o estado de espírito de Will.

Para início de conversa, quero deixar claro que não vejo o filme como uma história de amor entre homem e mulher. É possível que Will sinta um amor diferente por Lou, um querer-bem em retribuição ao que ela é para ele. Louisa é uma personagem encantadora, engraçada e muito bem construída. O figurino faz parte da construção da personagem e Emilia Clarke é uma atriz muito expressiva. Parece que Louisa e Emilia são uma pessoa só e não temos a impressão de que está atuando, o que é muito bom. Sam Claflin também está ótimo em sua interpretação, bastante convincente. A escolha de focar mais no desenvolvimento dos dois personagens, à medida que os conhecemos mais, para mim foi muito acertada. O beijo entre os protagonistas acontece bem perto do final do filme, o que para mim foi muito satisfatório. A relação dos dois pode ser vista como uma amizade, um carinho e vontade de se dedicar para ver o outro feliz (o que não deixa de ser amor, mas de uma forma diferente).

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Não focar na relação amorosa de Will e Louisa foi a decisão mais acertada pelos roteiristas. Aliás, a escritora do filme Jojo Moyes elaborou o roteiro, o que pode ser visto como erro ou acerto sob diferentes pontos de vista. Do ponto de vista cinematográfico, o roteirista deve saber fazer cinema. Ele sabe onde encaixar as melhores falas, sabe o timing perfeito, a sincronia de diálogos, etc. O escritor, não familiarizado com o cinema, não tem essa mão. Mas isso pode ser bom para quem leu o livro, porque o filme pode ter muitas semelhanças com ele.

O maior erro aqui é o excesso de pieguice do cinema inglês nos 40 minutos finais. Na verdade, me senti muito incomodada. A trilha sonora fica “pulando de galho em galho” entre uma música e outra (geralmente são músicas de artistas populares, tipo Ed Sheran) com o intuito de ligar a emoção da cena à emoção da música e dar aquele feeling de “bom filme”. Isso fica muito claro para mim e não me emocionou. E sim, eu me emociono com filmes bobos, não sou um robô cult, adoro pieguices.

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O filme funciona na maior parte do tempo. A relação entre os personagens, a leveza com que a direção foi levando os acontecimentos, o alívio cômico da própria protagonista Lou, sua relação com o namorado (que não é Will), a família… É uma experiência que pode ser divertida mesmo para os menos fãs do gênero. Como Eu Era Antes de Você é um filme fofinho e otimista. Vale a pena, se você gostar de romances e for paciente com draminhas sessão da tarde. Eu fui.

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CRÍTICA | Mogli – O Menino Lobo (2016): Uma experiência visualmente surpreendente

CRÍTICA | Mogli – O Menino Lobo (2016): Uma experiência visualmente surpreendente

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CRÍTICA | Mogli – O Menino Lobo (2016)

 

Na mais nova adaptação Disney para as telas em 3D, Mogli – O Menino Lobo, desenho clássico de 1967,  foi mantida a essência da história original, acrescida de efeitos especiais de encher os olhos e uma cinematografia super moderna.

Para quem não sabe, a história é sobre um menino que vive na floresta junto com os lobos, sendo encontrado por Bagheera (Ben Kingsley), uma pantera, que acredita que Mogli (Neel Sethi) precisa ter uma família para sua proteção. Bagheera entrega o menino para uma matilha e lá ele é adotado por Akela (Giancarlo Esposito) e pela loba Raksha (Lupita Nyongo) que o considera como filho, enquanto é treinado para sobreviver na selva. Durante a trégua da água, quando a seca chega e todos os animais se juntam em torno do lago para saciarem a sede, o tigre Shere Khan (Idris Elba), que carrega as cicatrizes da maldade humana, aparece para enfrentá-los e questionar a presença de Mogli entre os animais. Khan promete eliminar o menino antes que ele se torne adulto.

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Em sua jornada, Mogli passará por muitos perigos e aventuras, conhecendo pessoas especiais e outras nem tanto, como uma cobra traiçoeira (Scarlett Johanson) que conta como foi parar na floresta (aliás, essa cena é arrepiante). Além disso, ele encontrará também macacos liderados pelo Rei Louis (Cristopher Walken) e faz amizade com Balu (Bill Murray), um urso preguiçoso que não é só o alívio cômico do filme, mas tem papel importantíssimo no desenvolvimento dele. Com Balu, Mogli entende que a amizade é muito mais que uma troca de favores. A relação entre os dois personagens é um dos pontos fortes do filme.

Em Mogli – O Menino Lobo o que impressiona mesmo são os efeitos visuais. Se possível, assista em 3D e legendado, pois o time de atores responsáveis pelas vozes dos personagens está impecável. O 3D é incrível, a interação de Mogli com os animais foi realizada com perfeição. Em alguns momentos, me senti realmente em uma floresta.

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Há muitas cenas violentas e o filme também peca por isso. Não é uma produção totalmente infantil, por mais que em muitos momentos pareça. Meio infantil, meio violento, meio musical… O filme não está bem definido, e vejo isso como um erro. Talvez fosse necessário encontrar um público específico, para obter mais sucesso na sua execução. Mas acredito que no quesito “alcance de público” ele já bateu todas as suas metas, pois é sucesso absoluto de público, sendo aclamado pela crítica, além de se tornar atualmente o filme de maior bilheteria do diretor Jon Favreau (Homem de Ferro).

É um bom filme, que emociona, que empolga e traz nostalgia. É dinâmico, bem feito e original, mesmo sendo um remake. O olhar vale a pena.

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CRÍTICA | Unbreakable Kimmy Schmidt estreia 2ª temporada no Netflix

CRÍTICA | Unbreakable Kimmy Schmidt estreia 2ª temporada no Netflix

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CRÍTICA | Unbreakable Kimmy Schmidt

Unbreakable Kimmy Schmidt estreia segunda temporada na Netflix. A série criada por Tina Fey, sucesso de público e crítica, ganhou uma nova temporada no serviço de streaming Netflix, estreando no mês de abril.

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Estreou na metade do mês de abril a segunda temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt, série de Tina Fey, aclamada produtora e roteirista americana. A série gira em torno de Kimmy, uma mulher que passou 15 anos confinada em um bunker por um pastor que dizia estar salvando ela e outras quatro mulheres do apocalipse. Kimmy Schmidt (Ellie Kemper, de The Office), ao ser resgatada em uma operação policial, ressurge no mundo moderno e decide retomar sua vida na cidade de Nova York, encontrando um lugar totalmente diferente do que imaginava. Ela então inicia uma jornada de muitas descobertas e amadurecimento.

A série continua usando um tom bastante sarcástico e leve, um humor que parece ingênuo, mas não é. Com tiradas rápidas e muitas referências a cultura pop e acontecimentos atuais, a série mantem-se afiada. Tina Fey é uma das melhores produtoras e roteiristas da atualidade, na minha opinião. Ela sabe visualizar e atingir um público específico com muita facilidade ao incorporar esses elementos atuais no roteiro da série, que a meu ver, é o ponto forte de Unbreakleble Kimmy Schmidt.

A série também conta com personagens muito bem construídos, como Jacqueline Voorhees (Jane Krakowski, 30 Rock), que nesta temporada está ainda mais engraçada e autodepreciativa que na primeira. Jaqueline agora está “falida”, conseguindo apenas 12 milhões do marido no divórcio, e não consegue mais manter a vida luxuosa de madame que tinha anteriormente, caindo em depressão. Titus (Tituss Burgess) continua incrível. Um personagem que ganha facilmente o público, mesmo com seu egocentrismo e, muitas vezes, se aproveitando da ingenuidade de Kimmy. Acredito que seja o personagem mais marcante na série. Este papel deu a Tituss Burgess a sua primeira indicação ao Emmy para Melhor Ator Coadjuvante de Comédia ou Musical.

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Aqui tudo é bem pensado, desde os diálogos super afiados até a escolha da trilha sonora, sempre muito nostálgica. O humor é agradável e incorpora assuntos políticos e culturais com muita inteligência. A nova temporada conseguiu superar a primeira e tem todos os elementos para tornar-se a série queridinha da vez. Os episódios são curtos e o tom usado é tão agradável que em pouco tempo é possível assistir a temporada inteira. O problema é que para assistir novos episódios, é preciso esperar mais um ano.

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VOANDO ALTO (2016) | Uma divertida jornada rumo ao sonho |Crítica

VOANDO ALTO (2016) | Uma divertida jornada rumo ao sonho | Crítica

VOANDO ALTO (2016) | Uma divertida jornada rumo ao sonho | Crítica

VOANDO ALTO (2016) | Uma divertida jornada rumo ao sonho | Crítica

 

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Sabe aqueles filmes que criam uma atmosfera tão bacana que dá vontade de morar dentro dele? É o que acontece em Voando Alto (Eddie ‘The Eagle’),  filme que eu nem sequer sabia da existência antes de, por acaso, assisti-lo no cinema.  Não conhecia sinopse, elenco, nada. É um daqueles filmes encantadores, que sabem fazer o espectador torcer pela trama, nos envolvendo de tal forma que passamos a torcer para que o filme não termine.

Ele conta a história real de Eddie, um menino desajeitado que sonha em participar dos jogos olímpicos. Ele, desde muito novo, tenta praticar alguns esportes que poderiam levá-lo a realizar este sonho, mas não consegue se encontrar em nada. Ele resolve tornar-se um ski jumper em determinada parte do filme, e é aí que tudo se desenrola. Huck Jackman interpreta o treinador de Eddie, um personagem muito carismático, que também ganha a torcida do público.

Há uma química muito boa entre todos em cena, além do carisma que o filme possui. Todos se correlacionam muito bem, de forma que você às vezes esquece que os relacionamentos estabelecidos no filme são entre atores. Quando um elenco não se dá bem em cena, você senta a falta de afinidade e carisma. Você percebe a falha na execução como um todo, de modo que nas cenas em que se deveria torcer pelos protagonistas você é totalmente indiferente, e nas cenas emotivas, simplesmente não se comove. Quando uma boa relação entre atores x personagens existe, você não só torce, como vibra, chora e sorri espontaneamente. Aliás, foi difícil parar de sorrir durante a sessão.

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O diretor Dexter Fletcher cria uma ambientação nostálgica maravilhosa, o que para mim é um dos pontos de destaque de Voando Alto. A vibe anos 80, com uma trilha sonora animadinha e cenas divertidas, fazem dele um filme totalmente alto astral. Taron Egerton interpreta Eddie com muita verdade e muito êxito na construção do personagem. Acima de tudo, Taron dá conta do fator carisma, algo crucial na interpretação de Eddie, um personagem amado pelo público. Fiquem de olho nesse menino: ele pode nos surpreender ainda mais!

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O filme tem problemas, sim, como a pieguice tantas vezes empregada pelo cinema inglês. Não sei se só eu me incomodo com isso, mas sempre noto que os filmes de comédia ingleses usam um tom muito semelhante na comédia, que às vezes soa muito “brega” ou “já vi algo assim antes”. Isso é um problema, porque tira a beleza da originalidade do filme. Mas esse é um detalhe tão pequeno que para ser honesta, para mim não fez diferença. Voando Alto é um filme inspirador. É engraçado, fofo e cheio de carisma. Arranca sorrisos e lágrimas, como se estivéssemos lá dentro, torcendo por Eddie. Só que estamos aqui do outro lado da tela, com aquele sentimento bom de ter vivenciado um filme encantador.

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FULLER HOUSE (2016) | Nostalgia e humor inocente na Netflix | Crítica

FULLER HOUSE (2016) | Nostalgia e humor inocente na Netflix | Crítica

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Quem não lembra de Três é Demais, a série ainda hoje reprisada pelo SBT, que tinha o tio Jessie cantando músicas quase todo episódio e as gêmeas Olsen interpretando Michelle, uma menininha super esperta e engraçada? Depois de 21 anos a série está de volta e com uma temporada completa já na Netflix. Para quem não lembra, a história de alguns (muitos) anos atrás era basicamente essa: Danny, Jesse e Joey (Bob Saget, Dave Coulier e John Stamos) eram três irmãos solteiros que criavam junto as irmãs D.J, Stephanie e Michelle (Candace Cameron Bure, Jodie Sweetin e Mary-Kate/Ashley Olsen). Era uma série leve, com humor inocente e personagens carismáticos, que era o que vendia nos anos 80/90.

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Elenco original de Três é Demais (Full House) nos anos 80

A série volta partindo de uma premissa parecida com a original, mas agora é DJ quem vai cuidar de três filhos com a ajuda da irmã Stephanie e de Kimmy (Andrea Barber), que substitui as irmãs Olsen já que nenhuma das duas quis se envolver com a produção. Quem acompanhou Três é Demais na infância com certeza ficou curioso para saber qual o motivo de reviverem essa série porque, para isso, o motivo tem que ser muito bom. É perigoso mexer em uma produção (seja filme ou série) de sucesso que já terminou, porque às vezes isso pode acabar estragando algo que não precisava de mais nada. Se acabou, acabou.

A série tenta se sustentar basicamente reprisando episódios antigos usando e abusando de flashbacks, mostrando o antes e depois dos personagens. A nostalgia se faz presente no primeiro episódio com todos os personagens antigos reunidos revivendo seus personagens e dizendo seus bordões de sucesso. Percebemos o quanto o tempo foi generoso com uns, mas nem tanto com outros (é o caso do pai das três meninas, Bob Saget está absolutamente irreconhecível). A sensação é gostosa no início, mas depois a série vai mostrando a que veio: é tentado a todo minuto emplacar piadas e mais piadas, mas que não são engraçadas. O problema do sitcom que não faz rir é que as risadinhas de fundo chegam a irritar, porque você sabe que não aconteceu nada de engraçado ali.

Mas Fuller House também não chega a ser uma série totalmente ruim. Quando os produtores resolveram dar mais destaque ao filho do meio de D.J., Max, que tem um timing perfeito para comédia e absolutamente tudo que ele faz ou é engraçado, ou fofo, ou carismático, tudo começa a melhorar. Confesso que assisti até o último episódio (o que não é difícil, os episódios são curtos) por causa desse garotinho.

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DJ, Stephanie e Kimmy com o novo elenco infantil de FULLER HOUSE

A série tenta resgatar o humor leve e inocente dos anos 80, investindo no carisma dos personagens e na nostalgia dos fãs de Três é Demais. Não há nenhum outro propósito (ou parece não haver) para a série ter voltado, apenas esse. De todo modo, ela funciona como um passatempo despretensioso para quem gosta desse tipo de TV Show, e parece dar certo quando explora os personagens infantis, que são engraçados e possuem carisma. O elenco adulto não impressiona, mas o núcleo infantil é promissor. Se os produtores prestarem atenção nisso, a segunda temporada pode surpreender.

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Zootopia – Essa Cidade é o Bicho | Crítica

Zootopia – Essa Cidade é o Bicho | Crítica

Zootopia - Essa Cidade é o Bicho - Disney

Zootopia – Essa Cidade é o Bicho – Disney

O melhor filme do ano até agora, “Zootopia,” Da Disney Animation’ se passa em uma cidade brilhantemente imaginada onde vivem somente animais, onde a primeira coelha na polícia tenta resolver um crime com a ajuda relutante de uma Raposa.

Uma das melhores ofertas do estúdio irmão Pixar , esta é uma animação muito sofisticada que vai apelar para uma ampla gama de idades , uma parábola sobre o poder feminino e tolerância racial que faz a sua mensagem ser captada de uma forma sutil.

Judy

Judy

Judy a coelha (excelentemente dublado por Ginnifer Goodwin) deixa seus 225 irmãos para trás na exploração agrícola graças a uma iniciativa de inclusão feita pelo prefeito Lionheart (JK Simmons), que está concorrendo à reeleição.

Mas Bogo (Idris Elba), o búfalo , que é o comandante de Judy, não acha que a pequena coelha ( há muitas piadas visuais envolvendo escala dos personagens aqui ) será tão eficaz no combatente ao crime que os animais muito maiores em sua unidade da polícia e então a remaneja para dar multas de estacionamento.

Judy acaba pegando um caso de um mamífero desaparecido , e quando seu comandante lhe dá apenas 48 horas para resolvelo , a coelha utiliza uma tática inteligente para garantir a ajuda da raposa Nick Wilde (Jason Bateman).

Sem dar muito spoiler , mas o filme é extremamente inteligente e consegue encontrar novas maneiras de fazer piada com “O Poderoso Chefão ( 1972 ) ” e ” Chinatown. ‘(1974)”.

Você tambem vai encontrar muitas referências a outros filmes, que vão desde o (Um ratinho encrenqueiro) , (A canção do Sul)’ e a obra-prima da Disney ( Uma Cilada para Roger Rabbit.)

O que é realmente surpreendente ( e totalmente oportuno ) é o quão obscura as coisas, eventualmente, se tornam como um político que usa o medo da maioria dos mamíferos contra a população que é a minoria em Zootopia; os predadores.

Mas não se preocupe, os diretores Byron Howard, Rich Moore e Jared Bush e sua equipe não deixam se proporcionar um monte de risadas ao longo do caminho, incluindo uma cantora pop esbelta chamada Gazelle (voz de Shakira), que canta mais uma daquelas músicas que grudam da Disney.

“Zootopia ”, se destaca em tantos níveis que está no nivel dos melhores clássicos da Disney.

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A BRUXA (2015) | O terror além dos sustos | Crítica

Crítica – A Bruxa (2015)

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Crítica – A Bruxa (2015)

Vamos começar deixando bem claro: A Bruxa não é um blockbuster, não se trata de um terror convencional que dá sustos e reproduz aquelas cenas clássicas que todo mundo já está cansado de ver e adivinhar o que acontece. Não vá pensando que será entretenimento fácil, pois você pode se decepcionar bastante. É cheio de metáforas, é pesado, sem escrúpulos e bastante intrigante. Nos dias de hoje, filmes de terror realmente inovadores estão cada vez mais raros. É totalmente compreensível e igualmente animador que A Bruxa, filme de Robert Eggers, tenha chamado a atenção não só do público, mas dos festivais de cinema também. Robert Eggers levou o prêmio de Melhor Diretor em Sundance, o que considero bastante merecido.

Eggers conseguiu criar uma ambientação que eu considero perfeita: soturna, com filtro acinzentado, nevoeiro, floresta de árvores enormes e trilha sonora arrepiante. Ouvi gente dizendo que o filme foi vendido de forma errada, com um trailer que sugeria um desenrolar totalmente diferente, algo que não concordo: eu notei, no primeiro olhar, que havia algo único e especial neste filme assim que assisti ao trailer.

Ele se passa em 1630, época em que o Cristianismo era uma obrigação à todas as famílias. Nessa época, qualquer desvirtuação dos padrões cristãos significaria morte, sofrimento e exclusão. O longa tem início com a família (irei chamá-los apenas assim, pois seus sobrenomes não são ditos) sendo expulsa da vila em que moravam, mas não sabemos o motivo. O desenrolar do filme se dá com seus integrantes indo morar em uma casa totalmente isolada e distante da sociedade, dentro de uma enorme e macabra floresta.

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Cena de A Bruxa, filme de Robert Eggers (2015)

A Bruxa aborda questões como extremismo religioso, o papel da mulher na sociedade, o medo do desconhecido, as liberdades sexuais…. São muitas interpretações. Não é corriqueiro encontrarmos filmes de terror que abordem tantos assuntos, e sejam tão fortes em suas simbologias. O diretor mergulha no universo dos contos de bruxas e da filosofia Wicca, evidenciando símbolos como o coelho, que significa transformação, e uma cabra, que simboliza libido, fecundidade. Acredito que a relação feminino x igreja seja o pilar que sustenta o desenvolvimento do filme.

Entre os atores, quem brilha é Anya Taylor-Joy com sua interpretação de Thomasin, uma personagem que já tem seu lugar em minha lista de memoráveis. A entrega da jovem atriz ao papel é admirável, e eu espero vê-la brilhar ainda mais em outras interpretações.  Thomasin questiona, o tempo todo, seu valor para a família além de lavar as roupas do pai, cuidar dos irmãos e tirar leite de cabras. Apesar de toda a dedicação que tem com todos, recai sobre ela a culpa de todos os problemas que acontecem. A todo momento ela se inferioriza e questiona suas vontades, que ao que indica, vão contra os princípios religiosos da família. Harvey Scrimshaw, que interpreta Caleb, também tem seus bons momentos no filme.

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Thomasin, personagem de Anya Taylor-Joy

A maneira que a edição foi conduzida é mais um ponto positivo, além da fotografia, que é belíssima. Não há explicações dialogadas, algo que gosto bastante, pois sinto que a inteligência do espectador é meio que questionada quando elas existem. O ritmo da direção é lento e isso algumas vezes incomoda, mas para o resultado final, a sutileza dos detalhes fazem a diferença. Em alguns momentos, percebo que o modo de dirigir de Eggers bebe da fonte de Bergman, Shyamalan e um pouco da fase boa do Lars von Trier. Vi pessoas destacando as semelhanças do estilo de Eggers e Von Trier, e até consigo vê-las, mas há algo que os diferencia: Eggers não é tão pretensioso e soube chocar o espectador de uma forma muito mais natural, sem fazer tanto esforço. É preciso talento para isso!

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Difícil escrever sem soltar spoilers, pois acabo de sair da sessão de cinema e ele está bem fresco na memória. Sinto quase que uma necessidade de usar exemplos para fazer uma análise mais detalhada, pois assim consigo “digerir” melhor o que foi visto, mas não quero estragar a experiência de ninguém. Tudo que posso dizer é que A Bruxa é um filme imperdível, que vai além da estrutura convencional de filmes de terror, já tão massificada. É do tipo que deixa o espectador apreensivo e igualmente fascinado com a trama, te imergindo totalmente naquele universo. O final é de arrepiar. Para mim, um dos lançamentos do ano.

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