The Breakdown

9.0

CRÍTICA | ‘A Chegada’ é um dos melhores filmes de 2016

 

Minha meta é comentar todos os filmes do Oscar até a entrega da premiação, mesmo que já tenha um certo tempo da estreia, que no caso de A Chegada, foi em novembro de 2016.

O enredo tem seu desenrolar quando seres interplanetários deixam marcas na terra, e a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma professora especialista em linguística, é procurada pelos militares para ajudar na comunicação com os aliens e descobrir o por que deles estarem na terra.

A tensão estabelecida durante o filme inteiro, tanto pela fotografia nebulosa e com cores frias, sempre retratando um início de manhã ou fim de tarde, quanto pela trilha sonora e até mesmo a forma como vamos descobrindo, assim como Louise, o significado de tudo. Não espere por algo “espetacularizado” demais, pois até o desfecho dos mistérios do filme são respondidos de forma sutil e muito sensível.

A direção de Denis Villenueve é sensacional, ele soube construir satisfatoriamente uma linha do tempo totalmente compreensível, ainda que deixe algumas dúvidas para quem não entendeu a proposta do filme. Se você não entendeu de imediato, existem algumas explicações pela internet que podem te ajudar com isso. Elas farão você perceber perfeitamente o cuidado que Villenueve teve com a construção do longa.

À medida que a história atingia o seu clímax, começamos a perceber que todos os clichês de scifi sobre os extraterrestres na terra estavam sendo desfeitos, pois A Chegada quer passar uma mensagem totalmente diferente. É um filme de aliens não sendo um filme de aliens, se é que me entendem. Para mim, é como uma metáfora que representa a importância da interpretação da linguagem, e do quão devastadora pode ser a falta dela.

Amy Adams: Injustiçada pela Academia?

Falando de Amy Adams, que para muitos foi injustiçada pelo Oscar por não ter levado uma indicação. Gosto da atriz, mas não há tanto espaço para que ela dramatize tanto, pois a sua interpretação foi bastante ponderada. Por exemplo, não há cenas que exigem tanta entrega como Marion Cotillard interpretando Edith Piaf em seus últimos dias, ou Natalie Portman deixando de ser uma garotinha boba para se tornar uma mulher obscura em Cisne Negro. Vocês me entendem? Eu acredito que até cabia uma indicação para Adams, mas não é tão incompreensível assim o fato dela ter sido “esquecida” pela Academia.

O filme gira em torno de decisões e linguagem. É sobre comunicação e a importância disso tudo para a nossa humanidade. Vocês imaginam quantos problemas tivemos com a falta de diálogo entre nossos povos? Em um dado momento, Louise diz que uma teoria sustenta que a língua que você fala determina como você pensa, como você enxerga as coisas. Já parou para pensar nisso? Eu tenho certeza que, ao final do filme, você vai ter muita coisa para conversar com as pessoas que partilharam dessa mesma experiência. Não dá para ficar alheio à discussão. Selo Isso É Muito Black Mirror de qualidade.

“Eu pensava que este era o começo da sua história. A memória é uma coisa estranha. Não funciona como eu imaginava. Estamos tão presos pelo tempo, pela sua ordem. Lembro-me de momentos no meio… e este foi o fim. Mas agora não acredito em inícios e fins. Há dias que definem sua história além da sua vida, como o dia em que eles chegaram.”

 

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