The Breakdown

8.5

CRÍTICA | La La Land – Cantando Estações

Novo filme do diretor Damien Chazelle, de Whiplash, La La Land – Cantando Estações é a produção mais comentada dos últimos tempos. Como tudo que ganha o público e as premiações, logo começou a ser tachado de superestimado e hypado. Eu nunca entendi muito bem o sentido disso, mas você sabe que é verdade…

La La Land é sobre Mia, uma aspirante a atriz que trabalha em uma cafeteria nos estúdios Warner, e Sebastian, um pianista talentoso e fã de jazz que sonha em abrir seu próprio estabelecimento. Os dois estão em busca de suas aspirações, enquanto vivem um romance. Pois bem. O filme bebe de muitas fontes, é como um apanhado de inspirações que, quando mescladas e recontextualizadas, não parecem imitações. Dá pra entender? A sensação que tenho, apesar de não entender muito da parte técnica do fazer cinema, é que filmar cenas de musicais em plano sequência não é tarefa fácil. Chazelle faz parecer.

O filme é quase onírico, mistura sonho e realidade o tempo todo. Possui uma estética doce, que lembra os musicais clássicos da era de ouro de Hollywood (mas só lembra, não é nada disso). Com cores vibrantes e uma fotografia de encher os olhos, La La Land impressiona esteticamente falando. O enredo não é muito complexo, mas o desenrolar é inteligente e não parece forçado. Esses dias assisti Sully, novo filme de Clint Eastwood, e consegui perceber, mesmo em uma obra vinda de um diretor tão excepcional, quantos esforços foram feitos para fechar os 90 minutos de filme (o tal acidente do avião no rio Hudson durou 260 segundos).

As cenas musicadas são extremamente bem dirigidas e de muito bom gosto. Particularmente não gosto da ideia de dividir o filme em estações, isso já foi feito muitas vezes. O romance é honesto e, de novo, a melhor coisa do filme. A química entre Emma e Ryan é incrível, e seus personagens foram bastante bem construídos. Mia (personagem de Stone) ainda mais. Inclusive, ela é minha favorita para o Oscar. Nas cenas em que ela está gravando testes, seu talento se sobressai. Eu lembrei muitas vezes de Naomi Watts (injustiçada pela Academia) em Cidade dos Sonhos, do Lynch.

Em relação ao desfecho, que vem dividindo opiniões e interpretações, prefiro não intervir. Há uma explicação óbvia, mas também há outras, tão boas quanto. Ele não veio mastigado e enlatado, é bem mais subjetivo. De uma coisa eu estou certa: City Of Stars vai levar o Oscar de canção original. Eu tô tentando tirar o assobio do Ryan Gosling da minha cabeça há dias.

 

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