Review: Nova minissérie de TV – Jonathan Strange & Mr. Norrel (BBC, 2015)


Jonathan Strange & Mr. Norrel

Jonathan Strange & Mr. Norrel é uma minissérie em 07 episódios desenvolvida pelo canal britânico BBC. Fiel ao gosto britânico, a série de fantasia fala de magia e também nos leva de volta no tempo, de volta à Inglaterra do período georgiano. Além disso, como muitas séries e filmes da BBC, a história é baseada em um livro lançado em 2004 pela escritora Susanna Clarke. A série começou a ser exibida em 17 de Maio de 2015, e seu último episódio – o único que ainda não foi transmitido – vai ao ar no final de Junho.

O cenário é o das Guerras Napoleônicas. Assim como a própria nação, a magia – descrita como algo que “já foi uma parte tão importante do país [Inglaterra] quanto a própria chuva” – está em decadência. Enquanto a população conhece a existência da magia, a maioria tem renegado essa existência ao longo dos últimos três séculos.

Com esse contexto simples, a história começa acompanhando dois homens. O primeiro é Mr. Norrel, um nobre recluso e praticante de magia que aceita ir a Londres para tentar convencer a sociedade da importância da magia como um recurso para vencer a guerra. Ele consegue a atenção e apoio de todos quando, usando suas habilidades, ele ressuscita a noiva de um lorde.

Enquanto isso, o segundo homem é o jovem e carismático Jonathan Strange – que é desafiado por sua amada a encontrar um trabalho respeitável, ou eles não ficariam juntos. Jonathan sai ao acaso procurando o tal trabalho e conhece um mágico de rua. Esse mágico diz a Jonathan que ele tem o que é preciso para ser um praticante de magia.

Já dá para imaginar o que acontece, certo? Jonathan acaba se tornando aprendiz de Mr. Norrel. Se essa fosse uma propaganda da Sessão da Tarde, poderíamos dizer que os dois “vivem altas aventuras tentando lidar com essa mágica do barulho”. Mas vamos tentar ir um pouco mais a fundo.

Uma das coisas que parecem mais engraçadas em Jonathan Strange & Mr. Norrel é o fato de que tudo cai nos devidos lugares muito facilmente. Mr. Norrel é um recluso, mas basta uma visita do mágico Segundus para que ele decida ir à Londres, resgatar o apreço da população pela magia e salvar a Inglaterra da guerra. Jonathan precisa de um emprego respeitável, mas basta uma pseudo-profecia do duvidoso Vinculus e ele aceita perseguir uma carreira que de respeitável tem muito pouco. Não é difícil dizer que parece tudo meio “forçado” (ou não forçado o suficiente).

Jonathan Strange & Mr. Norrel

Por outro lado, a história em si está cheia de um material que dá pano pra manga. Um exemplo é profecia de Vinculus, o mágico de rua, atestando que Londres verá dois grandes mágicos surgirem – Destemor e Arrogância. Para quem não conhece a história como um todo, esse pequeno pedaço de informação nos deixa especulando como a história vai se desenvolver, e o que acontecerá com Jonathan e Norrel. Qual deles será Destemor, e qual será Arrogância? Será que Arrogância vai se dar mal no fim? (afinal, ninguém gosta de arrogância!)

A profecia, a guerra, o ser misterioso chamado de Cavalheiro, até mesmo o relacionamento de Jonathan com sua amada e a mulher ressuscitada logo no começo… todos estes são elementos de grande complexidade. Ou seja, como já disse, é material que não acaba mais. E talvez o problema da série Jonathan Strange & Mr. Norrel seja exatamente este.

É material demais para sete episódios. Dentro de cerca de uma hora do episódio piloto, Norrel já se mudou para Londres e Jonathan já realizou sua primeira mágica – um ritmo bem acelerado. Espectadores que não leram o livro se sentem caçando peças de um quebra cabeça para entender aonde vai o enredo.

Assim como muitas séries de TV e filmes que se comprometem a adaptar um livro, Jonathan Strange & Mr. Norrel está destinado a desagradar alguém – seja por cortar muitos elementos, seja por alterar a história, seja por tentar manter tudo e acabar parecendo superficial e até mesmo bobo. No final das contas, o espectador acaba ficando com sete episódios de uma série que poderia ser ótima, mas não chega lá. Para quem assistir e ficar com a sensação de que faltou alguma coisa, o melhor conselho que podemos dar é: leiam o livro.

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