SENSE8 | UMA SÉRIE EM QUE O IMPORTANTE SÃO AS DIFERENÇAS


Imagine a seguinte situação: você entra no banheiro, e ao se olhar no espelho, enxerga o reflexo de uma outra pessoa, totalmente diferente de si. Então você descobre que suas sensações estão ligadas a sete pessoas diferentes de diversos lugares do mundo, permitindo tanto assumir a consciência dos outros quanto conversar lado a lado e se relacionar com eles.

Parece uma grande loucura, né? E é mesmo! Uma história inusitada e maluca, mas que funciona muito bem em Sense8, série original da Netflix lançada no início de junho.

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Will (Brian Smith) e Riley (Tuppence Middleton) em Sense8

A cena de abertura gera um grande suspense: é o nascimento da ligação entre os oito protagonistas e a aparição de um potencial vilão, um cara que, aparentemente, persegue pessoas com esse tipo de conexão. Depois disso, os primeiros episódios prosseguem mornos e soam até mesmo um pouco monótonos, mas não abandonem, porque o seriado melhora.

As oito pessoas são: um policial em Chicago, uma DJ islandesa que mora em Londres, uma empresária e lutadora de kickboxe de Seul, um ladrão em Berlim, uma farmacêutica em Mumbai, um motorista de van em Nairóbi, um famoso ator mexicano que esconde de todos ser homossexual, e uma hacker de São Francisco.

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As histórias e vidas de cada um vão sendo apresentadas, e aos poucos eles descobrem que as vozes e estranhas sensações que ouvem e sentem, na verdade, são de outras pessoas. Que de alguma forma elas estão ligadas umas às outras.

Um ponto negativo é que isso não é muito bem explicado. O motivo por trás da ligação, como ela é passada para outras gerações… São algumas questões que a primeira temporada deixa em aberto, e espero que sejam respondidas na segunda. Talvez tenha até sido de propósito: você fica tão preso nas tramas individuais dos personagens, se envolvendo com eles, que esquece o porquê das coisas.

Os 12 episódios apresentam detalhadamente o individual. É possível então que a próxima temporada trabalhe mais o coletivo, principalmente depois dos acontecimentos finais.

O mais legal da narrativa é como cada sensate (o nome dado a esses humanos) auxilia o outro com sua particularidade. Nenhum deles é um super-herói, mas com suas habilidades comuns conseguem se ajudar e formar uma incrível equipe!

Uma das melhores cenas é quando a hacker Naomi (interpretada por Jamie Clayton) escapa dos vilões usando os conhecimentos táticos do policial Will (Brian Smith), lutando com as técnicas de Sun (Doona Bae), e fugindo em um carro mesmo não sabendo dirigir, já que Capheus (Aml Ameen) é um ótimo motorista.

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Outra característica positiva é como o estereótipo de protagonistas comumente adotado pelos filmes e seriados é abandonado. Sense8 abraça as diferenças, sejam elas quais forem: tem negro, gay, transexual, ateu, devoto hindu…

É a diversidade racial, sexual, religiosa, cultural, representada pelos oito protagonistas, que se apoiam não apenas nos momentos de luta e ação, mas também no âmbito pessoal. Os diferentes pontos de vista e bagagens ampliam as perspectivas em relação ao mundo tanto entre eles quanto de quem assiste.

O seriado, então, por meio dessa roupagem de suspense e consciências conectadas, tenta falar sobre pessoas, o que somos e o que nos define. É um tapa na cara do conservadorismo, preconceito e de todos aqueles que rejeitam e oprimem o diferente.

Amada por uns, odiada por outros, Sense8 despertou diferentes sensações no público. Ainda que concorde com alguns dos pontos negativos apontados, como a falta de explicações e a ausência de um desfecho da história individual de um dos protagonistas, sou do time que curtiu. Só o que foi mostrado nessa primeira temporada já é instigante o suficiente para me motivar a esperar pela segunda.

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